If you can't fly then run, if you can't run then walk, if you can't walk then crawl, but whatever you do you have to keep moving forward.” Martin Luther King
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
Sou um macaronésico
Irá ter lugar nos dias 11 e 12 de Dezembro, na inspiradora cidade do Mindelo, em Cabo Verde, a Cimeira da Macaronésia onde se prevê a criação da Região da Macaronésia que, como todos sabem, engloba os arquipélagos dos Açores, Cabo Verde, Canárias e Madeira, sendo que Cabo Verde é o único que não pertence à União Europeia. Aliás, reside aí uma das grandes mais-valias da criação política ou, se quisermos, da existência de um enquadramento da Região da Macaronésia. Face ao enquadramento no espaço europeu, Açores, Madeira e Canárias, enquanto regiões autónomas, têm desenvolvido, ao longo dos últimos anos, uma relação muito intensa, com recurso a vários projectos comunitários direccionados para as regiões ultraperiféricas. Aliás, é banal afirmar que, graças ao estatuto de regiões periféricas, os três arquipélagos, mesmo apresentando dimensões e níveis de crescimento díspares, beneficiaram de grandes fundos estruturais, os quais ajudaram a minimizar o hiato de desenvolvimento face às outras regiões europeias. Isso significa duas coisas. Primeiro que existe um espaço óbvio e natural no relacionamento entre os três arquipélagos. Segundo, que é mais consequente um processo de pressão assente em problemas específicos decorrentes da descontinuidade territorial e da posição periférica que ocupam, pelo menos, geograficamente. Neste contexto, o actual governo de Cabo Verde teve uma visão estratégica ao impulsionar, com o apoio dos restantes arquipélagos, a criação da Região da Macaronésia, dando consistência política à posição geográfica que ocupa enquanto espaço privilegiado no diálogo entre a Europa e África. Devo dizer, todavia, que este posicionamento já deveria ter sido implementado há muito mais tempo. A integração de Cabo Verde na Europa é uma discussão inconsequente e nem constitui ambição dos dirigentes cabo-verdianos. Aliás, Cabo Verde só terá peso no panorama internacional se conseguir ser activo no contexto africano e, ao mesmo tempo, se conseguir tirar partido da sua proximidade à Europa, nomeadamente, através do espaço da Macaronésia. Por outras palavras e de forma a sossegar os espíritos mais duvidosos, a política externa de Cabo Verde deve ser alicerçada, por um lado, numa acção forte e permanente na integração da sub-região africana da CEDEAO e, por outro, no aprofundamento das relações com a Europa através da Macaronésia. Não podemos perspectivar o futuro de Cabo Verde sem esta visão de integração dupla, isto é, numa relação intensa com África e Europa, estratégia esta que mais não irá fazer do que potenciar o reencontro consigo próprio. No âmbito Europeu, existem variadíssimos instrumentos que, perante uma relação política assumida de Cabo Verde e de um enquadramento legal com os demais arquipélagos parceiros, poderão ser extensíveis a Cabo Verde. A questão contrária é o que é que os restantes arquipélagos podem ganhar, nomeadamente, os Açores com a criação da Região da Macaronésia? Podem ganhar muito e o facto de estarmos a falar de um mercado de quase três milhões de pessoas em pleno Oceano Atlântico já é um estímulo. Por isso, tenho a mais profunda convicção de que é chegada a hora de dar consistência política às afinidades existentes entre os quatro arquipélagos, criando um espaço económico no centro do Atlântico e uma autêntica ponte entre África e a Europa. O poder político deve dar este passo e estou convencido que seguir-se-ão acções concretas das populações dos quatro arquipélagos que saberão potenciar e tirar os legítimos dividendos do espaço da Macaronésia. Todos conhecem estas regiões europeias como periféricas. A criação do Espaço da Macaronésia poderá ser fundamental na construção de novas centralidades atlânticas, sendo que esta ambição não é uma miragem. As centralidades são construídas e trabalhadas, não resultam de nenhuma predestinação.
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1 comentário:
Agora so falta dizeres que Cabo verde é europa... se calhar de fosse europa já la estavam muitos dos subsidiodependentes que por ai andam... espertalhoes que falam falam, mas querem é o seu tacho. tas-te marimbando pros irmãos cabo verdianos... queres é taxo
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