A partidocracia
Cada vez que se aproxima um acto eleitoral, fico com a minha convicção reforçada de que os partidos estão cada vez mais a falarem para dentro e a obedecerem a lógicas exclusivamente partidárias, relegando para planos completamente secundários os interesses colectivos. Digo isso, com muita pena porque tenho a certeza que o leitor concordará comigo se eu afirmar que a qualidade da nossa democracia, está intimamente ligada à qualidade dos seus actores, onde os partidos assumem uma importância crucial.
Efectivamente e para o mal de todos nós, os dados vem comprovar essa alienação dos partidos aos problemas e anseios das pessoas. Hoje, são cada vez menos as pessoas que se interessam pela política, assumindo sobre ela e os políticos uma percepção negativa. Por outro lado, a participação dos cidadãos nos vários momentos eleitorais tem vindo a atingir valores críticos. A título de exemplo, na semana passada, foram divulgados os números que dão conta que metade dos portugueses não estão interessados nas próximas eleições europeias o que significa, provavelmente, que 5 em cada dez não irão votar. Se contabilizarmos os que disseram que iriam votar mas não o irão fazer, os números tornam-se ainda mais preocupantes e não deixa, no entanto, de se ser estranho que um país e uma região que tanto devem à União Europeia, exista tamanho desinteresse pela União Europeia. Por isso, os políticos deveriam ficar preocupados com esse desinteresse que tende a ser cada vez mais agudo e que mina os alicerces da própria democracia. No entanto, em vez de agirem no sentido de darem um contributo real para contrair essa tendência só reforçam o desinteresse dos cidadãos pela vida política.
A questão é que se os próprios políticos não levam muito a sério a política, dificilmente estão em condições de pedirem que o cidadão comum se interessa pela política. Dois exemplos recentes e que por acaso têm a ver com as eleições europeias em que a escolha das pessoas para fazerem parte da listas em posição elegível, deveria ser um momento que pudesse dar uma ajuda para credibilizar a vida política e partidária, contribuindo para motivar as pessoas a não alienarem a sua participação: no lado do PSD, Duarte Freitas foi anunciado publicamente que continuará no Parlamento Europeu, ocupando um lugar de exigível na lista. Em menos de 24 horas, Duarte Freitas dançou e regressará ao Parlamento Regional. A rotatividade é importante para a qualidade democrática, mas fazê-la de forma primária e obedecendo a lógica de “caças aos de lugares” e mediante critérios exclusivamente partidários e na busca de uma falsa paridade nas listas, é um excelente contributo para aumentar a distância entre os eleitos e os eleitores. Em relação ao PS, Paulo Casaca (que foi considerado o terceiro eurodeputado mais produtivo) entendeu-se que seria o candidato ideal para vir fazer literalmente um passeio nas próximas eleições autárquicas.
Não basta dizer que é preciso mudar ou que as pessoas têm de mostrar interesses em participar. As pessoas estão aí, e o exemplo que veio recentemente dos Estados Unidos, onde foi possível uma participação sem precedentes, diz-nos que a culpa pende para o lado dos políticos. Não basta aderir às redes sociais na Internet para efectuar a mudança no relacionamento entre os governantes e os governados. As pessoas precisam de sentir que as opções que os partidos assumem resultam claramente na defesa do interesse do colectivo e não de meros expedientes partidários. Da minha parte, estou cada vez mais decepcionado com a forma como os partidos e os políticos organizam a conquista do poder e fico convencido que estão a reunir todas as condições para que possam perder a exclusividade na conquista do poder.
Efectivamente e para o mal de todos nós, os dados vem comprovar essa alienação dos partidos aos problemas e anseios das pessoas. Hoje, são cada vez menos as pessoas que se interessam pela política, assumindo sobre ela e os políticos uma percepção negativa. Por outro lado, a participação dos cidadãos nos vários momentos eleitorais tem vindo a atingir valores críticos. A título de exemplo, na semana passada, foram divulgados os números que dão conta que metade dos portugueses não estão interessados nas próximas eleições europeias o que significa, provavelmente, que 5 em cada dez não irão votar. Se contabilizarmos os que disseram que iriam votar mas não o irão fazer, os números tornam-se ainda mais preocupantes e não deixa, no entanto, de se ser estranho que um país e uma região que tanto devem à União Europeia, exista tamanho desinteresse pela União Europeia. Por isso, os políticos deveriam ficar preocupados com esse desinteresse que tende a ser cada vez mais agudo e que mina os alicerces da própria democracia. No entanto, em vez de agirem no sentido de darem um contributo real para contrair essa tendência só reforçam o desinteresse dos cidadãos pela vida política.
A questão é que se os próprios políticos não levam muito a sério a política, dificilmente estão em condições de pedirem que o cidadão comum se interessa pela política. Dois exemplos recentes e que por acaso têm a ver com as eleições europeias em que a escolha das pessoas para fazerem parte da listas em posição elegível, deveria ser um momento que pudesse dar uma ajuda para credibilizar a vida política e partidária, contribuindo para motivar as pessoas a não alienarem a sua participação: no lado do PSD, Duarte Freitas foi anunciado publicamente que continuará no Parlamento Europeu, ocupando um lugar de exigível na lista. Em menos de 24 horas, Duarte Freitas dançou e regressará ao Parlamento Regional. A rotatividade é importante para a qualidade democrática, mas fazê-la de forma primária e obedecendo a lógica de “caças aos de lugares” e mediante critérios exclusivamente partidários e na busca de uma falsa paridade nas listas, é um excelente contributo para aumentar a distância entre os eleitos e os eleitores. Em relação ao PS, Paulo Casaca (que foi considerado o terceiro eurodeputado mais produtivo) entendeu-se que seria o candidato ideal para vir fazer literalmente um passeio nas próximas eleições autárquicas.
Não basta dizer que é preciso mudar ou que as pessoas têm de mostrar interesses em participar. As pessoas estão aí, e o exemplo que veio recentemente dos Estados Unidos, onde foi possível uma participação sem precedentes, diz-nos que a culpa pende para o lado dos políticos. Não basta aderir às redes sociais na Internet para efectuar a mudança no relacionamento entre os governantes e os governados. As pessoas precisam de sentir que as opções que os partidos assumem resultam claramente na defesa do interesse do colectivo e não de meros expedientes partidários. Da minha parte, estou cada vez mais decepcionado com a forma como os partidos e os políticos organizam a conquista do poder e fico convencido que estão a reunir todas as condições para que possam perder a exclusividade na conquista do poder.


Comentários
A tua análise é redutora e parcial e quando assim é o objectivo, que quero acreditar seja o de apelar à participação política, fica prejudicado.
Era bom, não só, avaliar com rigor, o trabalho desenvolvido pelos diferentes deputados portugueses, mas também os diferentes projectos e o conjunto de protagonistas que lhe darão corpo.
Lamento que não consigas ver para além do centrão.
Um abraço,
Aníbal Pires