14 anos a defender os migrantes e a fazer da diversidade uma riqueza

Termino nas próximas semanas, o meu último mandato como Presidente de Direção após 14 anos ter fundado em conjunto com Aníbal, Heliodoro, Leoter e Gil, a AIPA. Um balanço que muito me honra, num percurso que não foi, como é óbvio, isento de erros e imperfeições. No entanto, ao longo desses anos, estive sempre e de forma genuinamente comprometido com a causa das migrações e ninguém que nos procurou ficou sem respostas. Na altura da criação da AIPA colocamos 4 pontos para a nossa intervenção e particularizava dois deles; primeiro que não seríamos uma associação de cariz apenas cultural; tínhamos de ser uma associação com capacidade de intervenção pública e política; o segundo, ser uma organização completamente independente, apartidária e sem agenda escondida; a agenda era e é defender os imigrantes e contribuir para a sua integração na sociedade açoriana. O tema da imigração é não é fácil, persistem muitos mitos e preconceitos sobre o tema e, sobretudo, existe ainda uma linha que muitos tendem a agudizar entre o “ Nós” e os “ eles”. O desafio maior que sempre tivemos de enfrentar era a de ganhar essa batalha de sensibilização das pessoas que deverá existir apenas o nós, construído de forma permanente com recursos a várias proveniências, religião e cultura. Temos ainda o desafio da sustentabilidade financeira e a independência da associação, longe das lógicas de subserviência dos poderes públicos ou políticos. A fronteira é ténue, no sentido de que quando a organização depende de apoios públicos de facilmente ser um prolongamento dos governos, sem capacidade critica e de criação de lógicas de complementaridade de ação e nunca de subserviência. Deixo uma associação equilibrada a nível financeiro, mas sobretudo, creio que a existência da nossas associação valorizou a sociedade civil açoriana. A nossa missão enquanto associação e de ativismo em torno da criação de uma sociedade que faz da diferença um valor de enriquecimento de não o seu contrário, quase que começa hoje. Se olharmos, mesmo que de forma grosseira, para o que está a acontecer com a questão dos refugiados, da intolerância e com um elevado potencial de criar tensões sociais irreversíveis , percebemos da necessidade de termos fileiras sólidas de pessoas e instituições que defendam esse tipo de sociedade: uma sociedade intercultural. O mais importante disso tudo é que hoje temos alguns milhares de imigrantes que vivem, respiram que amam os Açores, dando sempre o seu melhor ao lado dos que nasceram cá para fazermos dos Açores um espaço mais rico em todos os sentidos Amo o presente, tenho uma forte esperança no futuro um grande respeito pelo passado. Nunca fazemos nada sozinhos, mesmo nas discordâncias é sempre fruto de um trabalho e envolvimento de muitos, uns mais visíveis que outros. Respeitar o passado, significa ter sentido de gratidão e dizer as pessoas que foram importantes para nós Por isso, queria dizer a essas pessoas e instituições algo muito simples: obrigado.

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