If you can't fly then run, if you can't run then walk, if you can't walk then crawl, but whatever you do you have to keep moving forward.” Martin Luther King
quarta-feira, 28 de junho de 2017
14 anos a defender os migrantes e a fazer da diversidade uma riqueza
Termino nas próximas semanas, o meu último mandato como Presidente de Direção após 14 anos ter fundado em conjunto com Aníbal, Heliodoro, Leoter e Gil, a AIPA. Um balanço que muito me honra, num percurso que não foi, como é óbvio, isento de erros e imperfeições. No entanto, ao longo desses anos, estive sempre e de forma genuinamente comprometido com a causa das migrações e ninguém que nos procurou ficou sem respostas.
Na altura da criação da AIPA colocamos 4 pontos para a nossa intervenção e particularizava dois deles; primeiro que não seríamos uma associação de cariz apenas cultural; tínhamos de ser uma associação com capacidade de intervenção pública e política; o segundo, ser uma organização completamente independente, apartidária e sem agenda escondida; a agenda era e é defender os imigrantes e contribuir para a sua integração na sociedade açoriana.
O tema da imigração é não é fácil, persistem muitos mitos e preconceitos sobre o tema e, sobretudo, existe ainda uma linha que muitos tendem a agudizar entre o “ Nós” e os “ eles”. O desafio maior que sempre tivemos de enfrentar era a de ganhar essa batalha de sensibilização das pessoas que deverá existir apenas o nós, construído de forma permanente com recursos a várias proveniências, religião e cultura. Temos ainda o desafio da sustentabilidade financeira e a independência da associação, longe das lógicas de subserviência dos poderes públicos ou políticos. A fronteira é ténue, no sentido de que quando a organização depende de apoios públicos de facilmente ser um prolongamento dos governos, sem capacidade critica e de criação de lógicas de complementaridade de ação e nunca de subserviência. Deixo uma associação equilibrada a nível financeiro, mas sobretudo, creio que a existência da nossas associação valorizou a sociedade civil açoriana.
A nossa missão enquanto associação e de ativismo em torno da criação de uma sociedade que faz da diferença um valor de enriquecimento de não o seu contrário, quase que começa hoje. Se olharmos, mesmo que de forma grosseira, para o que está a acontecer com a questão dos refugiados, da intolerância e com um elevado potencial de criar tensões sociais irreversíveis , percebemos da necessidade de termos fileiras sólidas de pessoas e instituições que defendam esse tipo de sociedade: uma sociedade intercultural.
O mais importante disso tudo é que hoje temos alguns milhares de imigrantes que vivem, respiram que amam os Açores, dando sempre o seu melhor ao lado dos que nasceram cá para fazermos dos Açores um espaço mais rico em todos os sentidos
Amo o presente, tenho uma forte esperança no futuro um grande respeito pelo passado. Nunca fazemos nada sozinhos, mesmo nas discordâncias é sempre fruto de um trabalho e envolvimento de muitos, uns mais visíveis que outros. Respeitar o passado, significa ter sentido de gratidão e dizer as pessoas que foram importantes para nós Por isso, queria dizer a essas pessoas e instituições
algo muito simples: obrigado.
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