Não há nuvens

O barulho do mar era a única companhia da nossa conversa. Estou no Corvo. Não no Corvo dos Açores mas sim o Corvo de Cabo Verde, situado na ilha de Santo Antão, a mais montanhosa e a mais verde do arquipélago africano. Aliás, até aqui o único espaço que eu conhecia com este nome era a ilha do Corvo, aqui nos Açores. O Corvo de Cabo Verde é uma localidade com pouco mais de uma dúzia de casas, situado entre a Formiguinhas e Fontainhas, cujo acesso é feito a pé, por estradas estreitas que alternam entre terra e calçado. A Dona Bia nasceu, casou e fez toda a sua vida no Corvo, interrompendo apenas 2 anos para ir visitar os filhos que se encontram espalhados por Portugal, Bélgica, França e Holanda, cumprindo o destino de milhares de cabo-verdianos que encontram na emigração uma estratégia de melhoria de vida. Encontro a Dona Bia, por acaso, com as mãos debruçadas sobre uma parede tosca de pedra, e com o olhar fixo para um campo de futebol, também feito de terra, cuja dimensão não respeita o tamanho regulamentar. A conversa começou quase de forma instantânea e fiquei a saber que a Dona Bia gosta muito de um padre, natural da ilha de Santiago, apesar de não o perceber por causa da pronúncia de “badio”. À semelhança dos Açores, cada ilha em Cabo Verde tem um sotaque próprio moldado pelo tempo. A Dona Bia está contente porque o tal Padre iria telefonar-lhe no dia 9 de Maio, altura que completaria 85 anos. Não resisti e pedi o seu número de telefone e no passado dia 09 lhe dei os parabéns, via telefone. Para continuar a ler clique no Jornal "Açori
ano Oriental"

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