As caras anónimas

Gosto de ver caras, de olhar para as pessoas anónimas que os nossos olhos inadvertidamente ( ou não) roubam aos outros olhos nas ruas. São olhos, expressões e caras que, por imposição da percurso natural da vida, não mais iremos ver. Fruto do cruzamento cultural, as ruas, as esquinas ou mesmo as entradas para o metro ( como é o caso desta fotografia) de Istambul, são particularmente interessantes para este exercício do olhar. Umas trajadas com a burca completa, homens que devoram, apenas com os olhares as mulheres,homens que andam de mãos dadas com outros homens ( sem serem gays), jovens que vão balançando o andar com aquelas conversas típicas de amigas ( pelas gargalhadas fico a pensar que estariam a falar da noite anterior), senhoras muito bem vestidas, dignas para um irem a concerto de musica clássica, jovens que fugindo calmamente ao aparentemente caos do transito, vão falando nos seus smart phones ( maioria iphones). Esses olhares emprestados reforçam a minha convicção de que somos, na substância, todos iguais. Choramos e rimos pelas mesmas coisas, os nossos corações batem mais forte quando estamos perante aquela pessoa, temos medo do aparentemente estranho; que deixamos-nos amarrar com do receio do talvez; nas ruas percebemos que as pessoas, independente de onde e como são, sentem saudades. Os olhares, mesmo que roubados e de forma anónima, ensinam-nos muita coisa; coisas básicas, do senso comum mas essenciais para a nossa curta passagem por aqui.

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