Apresentação da 2ª edição do Panazorean

É com particular satisfação que a AIPA – Associação dos Imigrantes nos Açores apresenta a sua 2ª edição do Panazorean – Festival Internacional de Cinema – dedicado ao tema das migrações e interculturalidade e que, não obstante, por um lado, do cenário difícil a nível de concretização de parcerias públicas e privadas para a realização de atividades culturais e, por outro, porque estamos perante um projeto muito recente, conseguimos assegurar, mesmo assim, um Festival substancialmente melhor do que no ano passado, tanto na forma como no conteúdo. Recebemos mais de 415 filmes (a nossa meta era chegar 300, mais de 4 vezes mais de o ano passado; os filmes que recepcionamos são oriundos de mais de 60 países (no ano passado tínhamos 24 países). Estes números deixam-nos muito satisfeitos e nos sinalizam, de forma inequívoca, que o Panazorean é uma aposta ganha e é um projecto credível. Mas, essencialmente, estes números e o alcance do Panazorean reforçam a nossa convicção em dois aspectos: i) De que de, hoje, mais do que nunca a construção de centralidade depende, em grande medida, da nossa atuação, da nossa pro-actividade tanto na esfera individual como coletiva; ii) Do nosso orgulho de contribuir com uma produção regional que se tem assumido como um meio relevante de projecção dos Açores no mundo utilizando o cinema sobre as migrações e diálogo intercultural; iii) A nossa ambição é que dentro de muito pouco tempo, haja mais pessoas a fazer cinema nos Açores, mais pessoas a virem para os Açores para rodarem os seus próprios filmes Vivemos num mundo de consumo rápido onde tudo ou quase tudo que não produz efeito imediato e visível a luz dos media, não é valorizado da forma como seria suposto. Mas, também, atravessamos uma época em que caímos na fácil tentação de pensar que temos tudo ou quase tudo como garantido. Que as migrações constituem um tema pacífico em todas as sociedades; que todos as pessoas e povos acreditam na importância e nas mais-valias da diversidade cultural; ou que os Direitos Humanos são respeitados em todo o lado. Infelizmente, estas conquistas são frágeis e perante o contexto atual, temos a obrigação de chamar a atenção das pessoas para as violações diárias dos direitos humanos, de reiterar de que a nossa casa enquanto depende da escolha individual e por isso os migrantes devem ser tratados com respeito e dignidade; que a diversidade cultural é, definitivamente, um fator de enriquecimento individual e coletivo. É por isso que abraçamos este projecto do Festival. Para além da paixão pelo cinema nos move, sobretudo, a vontade de criar, através do cinema, um espaço de reflexão, de chamada de atenção e de reforço de linhas de atuação em prol da própria da integração dos migrantes e do papel do diálogo intercultural. Nesta segunda edição do Panazorean iremos atingir estes objectivos de três formas: através de exibição de exibição de 37 filmes (17 longas e 20 curtas) provenientes de 23 países, ora utilizando uma visão mais optimista, ora retratando a realidade de forma nua e crua, mas que no fundo ajudam-nos a cruzar os vários olhares e diferentes perspectivas sobre o tema das migrações. Por outro lado, fruto de uma criteriosa seleção, os espetadores poderão apreciar 27 filmes em competição, dos mais variados géneros cinematográficos, sendo de destacar que oito dos filmes estrangeiros em competição são estreias absolutas em Portugal, alguns deles já premiados nos principais festivais mundiais. No que diz respeito à secção não-competitiva, estará presente uma seleção de 4 filmes dos prémios LUX, do Parlamento Europeu, entre os quais o vencedor de 2011 e os três finalistas de 2012 e contou com a preciosa colaboração e entusiasmo da Eurodeputada Maria Patrão Neves. Ainda contamos uma mostra de filmes do festival argentino Cinemigrante. O segundo eixo do Panazorean, é a realização de workshops e conferências coordenados que serão coordenados pela Universidade dos Açores e Universidade Aberta, que contarão com a presença de especialistas nacionais sobre a matéria: Mesa Redonda – Migrações e mediações culturais e políticas; Oficina- Migrações em espaços insulares; Conferência - EMIGRAÇÃO E REGRESSO: UM RETRATO POLIFÓNICO A PARTIR DA GERAÇÃO DOS CAPELINHOS - Exibição do documentário “A minha terra é uma ilha/ My home is an island”, de António Saraiva (CEMRI) Um terceiro eixo, é realização de workhops temáticos que visam deixar valor e massa crítica na região.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Cabo Verde, um percurso de esperança

Slow Ferry e o enguiço do Estado

A lei dos mais fortes...Conhecem um tal Abreu Freire?