Cabo Verde, um percurso de esperança


Cabo Verde comemorou no passado dia 5 de Julho o 36º aniversário da independência nacional. De fora chegam críticas muito positivas e encorajadoras em relação ao percurso do arquipélago, o qual foi descoberto em 1460 por navegadores portugueses e se tornou independente em 1975, depois de uma luta armada em conjunto com a Guiné-Bissau, liderada por Amílcar Cabral. Em 1990, após 15 anos do sistema de partido único, o país abriu-se à democracia e hoje, em todos os recantos das ilhas e instituições crioulas, assiste-se a uma genuína vivência democrática que, a par com a estabilidade governativa e do funcionamento das organizações, têm sido pilares do desenvolvimento cabo-verdiano. Cabo Verde tem hoje (censos de 2010) um volume populacional de 491 875 habitantes, um PIB per capita de 3 750 usd; no contexto de transparência e num conjunto de 187 países, Cabo Verde ocupa o 45º lugar; por outro lado, no índice de desenvolvimento humano, o país está na 8ª posição num grupo de 51 países. De 2000 a 2008 o país cresceu, em média, 6 por cento e Cabo Verde tem potencial para continuar a crescer, nos próximos tempos, a uma taxa muito semelhante. No que se refere ao peso dos diferentes sectores de actividade no PIB, a área dos transportes e comunicação representa 21%, o comércio 20,8%, a administração pública 12%, a construção 12,4%, a agricultura 7,9%, a indústria e energia 7,5%, o turismo 3,9% e a pesca 1%. Apesar do percurso notável que o país trilhou ao longo dos 36 anos de independência, o que leva muitos a apontarem Cabo Verde como um exemplo de que é possível conciliar desenvolvimento e estabilidade democrática no continente africano (por exemplo Hillary Clinton, Joaquim Chissano), prevalecem ainda problemas estruturais que carecem de soluções igualmente estruturantes. O primeiro desafio tem a ver com o desemprego, que ronda os 20% da população activa. A par disso, houve uma aposta gigantesca na educação e, hoje, são muitos os cabo-verdianos que têm a expectativa de conseguir um melhor emprego e compatível com as suas competências académicas. A pobreza é o segundo desafio e existem muitos exemplos de que é crucial a promoção de um desenvolvimento equilibrado entre as diferentes ilhas e um esforço adicional para minimizar o fosso entre ricos e pobres. O terceiro desafio alicerça-se na promoção da balança comercial cabo-verdiana que, actualmente, é altamente deficitária. O sector do turismo tem sido apontado como um dos eixos estruturantes de desenvolvimento do país e, apesar da crescente importância do turismo (em 2008 Cabo Verde recebeu mais de 280 mil turistas), há muito por fazer, nomeadamente há que criar condições para o que o turismo se possa constituir como uma actividade de maior valor acrescentado para Cabo Verde. De qualquer forma, o caminho é de esperança e estou absolutamente convencido de que Cabo Verde chegará lá.
Publicado no Jornal " Açoriano Oriental" no dia 06 de Julho de 2011

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