If you can't fly then run, if you can't run then walk, if you can't walk then crawl, but whatever you do you have to keep moving forward.” Martin Luther King
sexta-feira, 8 de abril de 2011
O país do " porreiro" pá
A crise política que o país está a atravessar tem sido objecto das mais variadas interpretações, fazendo emergir argumentos, em muitas circunstâncias, complexos que tendem a fugir à compreensão do cidadão comum, onde me incluo. Se nos colocássemos na pele de um marciano que aterra, pela primeira vez, em terras lusas, a explicação seria mais ou menos esta: José Sócrates é um político português que nasceu no início do mês de Setembro, no ano de 1957, em Vilar de Maçada, Alijó. É licenciado em Engenharia Civil (questionou-se, em tempos não muito remotos, a veracidade desta licenciatura), Secretário-geral do PS desde 2004 e Primeiro-ministro de Portugal desde 12 de Março de 2005. No dia 23 de Março último, apresentou a demissão ao Presidente da República (que não nutre muito simpatia por ele), depois dos partidos da oposição terem rejeitado as medidas de austeridade apelidadas de PEC IV. Teoricamente, o PEC significa “Pacto de Estabilidade e Crescimento” mas, na prática, é um conjunto de medidas que o Estado Português tem vindo a implementar para ir buscar dinheiro aos portugueses, sobretudo junto dos que nada ou pouco têm e dos remediados, com o objectivo de colocar as finanças públicas em ordem. Passos Coelho é, desde Março de 2010, o líder do PSD, o maior partido da oposição. Passos tem muita pressa em chegar ao poder e, se não o fizer nos tempos mais próximos, serão os próprios colegas de partido a “fazer-lhe a cama”. Por isso, as escolhas de Passos estão condicionadas, infelizmente, pelo próprio timing político. Todos, incluindo os restantes partidos da oposição, queriam (querem) despachar José Sócrates e, ao fazê-lo, empurraram Portugal e os portugueses para uma situação extraordinariamente difícil. Se a situação económica do país já era débil, com a crise política a situação deteriorou-se e os mercados estão a responder com taxas de juros cada vez mais altas e, a acreditar nos especialistas, o recurso à ajuda externa por parte de Portugal é hoje uma inevitabilidade. No entanto, esta primazia do jogo político é reveladora da excessiva centralidade que o poder político assume na sociedade portuguesa e de uma preocupante desvalorização da sociedade civil, onde nos estou a incluir a todos. Algumas das pessoas mais influentes do país, nomeadamente do tecido empresarial, vieram a público alertar para as consequências negativas de um cenário de eleições antecipadas e para a necessidade de haver um amplo entendimento entre as diferentes forças políticas sobre alguns dos aspectos estruturais do país. O drama da crise política que estamos a viver é o seguinte, na minha opinião: se alterássemos os papéis dos protagonistas (ou seja, caso o PS fosse agora oposição), o resultado seria genericamente o mesmo, isto é, enterrariam o país. Por isso, perante o quadro eleitoral que se aproxima, há duas coisas que devem acontecer: a primeira, é a urgência de um amplo compromisso entre as forças políticas sobre as questões estruturais do país. A actual situação do país é incompatível com birras ideológicas absolutamente inconsequentes. Crescimento económico, desigualdade social, desemprego são apenas alguns dos sectores que carecem deste acordo ou, utilizando a expressão de um economista, “Portugal precisa de um verdadeiro caderno de encargos”. À esquerda do PS, tivemos um sinal parcial e inédito: respondendo a um convite do BE, os comunistas e bloquistas vão discutir a possibilidade de uma coligação pós-eleitoral. Digo parcial porque deixa de fora as outras forças políticas. Portugal está numa fase em que ter políticos “porreiros” é manifestamente insuficiente. Mas, também, é uma altura em que Portugal precisa que os seus cidadãos sejam mais do que “porreiros”; é crucial uma maior intervenção civil e mais pressão sobre as pessoas que têm a responsabilidade de nos governar.
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