Mudar ou manter? Mesti muda ou mesti manti?

Os cabo-verdianos são chamados às urnas no próximo dia 06 de Fevereiro para elegerem 72 deputados em representação de 13 círculos eleitorais, sendo dez no arquipélago e outros três círculos formados pelas comunidades emigrantes em África, América, Europa e Resto do Mundo. Sem desmerecer as outras forças partidárias, o vencedor irá recair sobre o PAICV ou o MPD, sendo que o primeiro é liderado pelo actual primeiro-ministro, José Maria Neves, e o segundo por Carlos Veiga que foi primeiro-ministro de 1991 a 1999. A escolha é, no entanto, muito clara: será entre a aposta na continuidade e no excelente e reconhecido trabalho que o partido liderado por José Maria Neves tem desenvolvido nos últimos anos ou, então, o retorno a uma política que poderá pôr em causa a continuidade deste esforço de desenvolvimento de Cabo Verde. Hoje, vive-se muito melhor em Cabo Verde e é possível sentir as vozes e acções de esperança de que, juntos e com uma liderança capaz, chegaremos lá. Mesmo com muitos problemas por resolver, todos os indicadores apontam que estamos no bom caminho e que não vale a pena aventurarmo-nos por outros caminhos. Não duvido do papel que o MPD e o próprio Carlos Veiga tiveram no processo de democratização do país e, hoje, orgulho-me de ver que em todos os cantos e recantos de Cabo Verde é possível assistir a uma vivência genuína da democracia, em que cada um tem a sua opinião e a expressa de forma livre. Todavia, não podemos esquecer que o segundo mandato de Carlos Veiga foi desastroso e que ainda hoje prevalecem consequências negativas da política económica implementada na altura. A nível social, Cabo Verde tinha 49% de pobres e em 2007 ficou nos 24%, colocando o país com índices de desenvolvimento humano superior aos países com mais recursos. No campo da educação, o panorama está muito diferente e conseguimos progressos notáveis. O país tem hoje uma taxa de escolaridade de mais de 90%, sendo que, em 1990, era de 72%. A Universidade de Cabo Verde já está em funcionamento, a par com mais 3 estruturas universitárias, numa clara aposta na qualificação dos cabo-verdianos. Na área da saúde, e só para citar um indicador, em 1995 morreram 95 mães por cada 100 mil partos e em 2007 este número baixou para 16. Há mais hospitais e mais profissionais na área da saúde e a nossa situação é incomparavelmente melhor do que há 10 anos atrás. Compreendo que a saúde é uma área que requer um esforço ainda muito maior, mas o caminho está sendo feito. Com muitos problemas ainda por resolver e ainda com um longo e complexo caminho para a consolidação do desenvolvimento, mas no caminho certo. Estes avanços são reconhecidos por diferentes agentes internacionais completamente insuspeitos. Mas, também, estou convencido que estas avaliações externas são insuficientes para validar a confiança do povo que, na luta diária, sente ou não os efeitos das opções políticas. Mesmo por este prisma, acredito que os cabo-verdianos saberão escolher o próximo governo de Cabo Verde, pois sabem que hoje Cabo Verde está muito melhor. Cabo Verde é um país jovem (31,7% da população tem menos de 15 anos) e com uma população de meio milhão de habitantes (491 575), sendo que 62% residem no meio urbano e 38% no rural. Mas também é um país onde, face à aposta na formação, há cada mais jovens que pretendem entrar no mercado de trabalho de forma compatível com as suas expectativas e habilitações. É uma tarefa difícil, mas absolutamente necessária no sentido de garantir uma sociedade com um razoável grau de coesão social e capaz de responder às expectativas da sua população. Temos ainda uma taxa altíssima de desemprego, mas foi possível gerar milhares de postos de trabalho nos últimos anos. Existe um clima de esperança em que, com mais trabalho, com opções políticas correctas e, sobretudo, com líderes capazes e portadores de uma visão de desenvolvimento, chegaremos lá. Estamos no caminho certo e Cabo Verde só faz sentido com a envolvência da sua diáspora, que é a sua décima primeira ilha. Não deixe de expressar o seu voto no próximo dia 06. A escolha é entre mesti muda ou mesti manti. A minha é mesti manti.

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