Votando Alegremente

No próximo dia 23 os portugueses são chamados a escolher um novo Presidente da República. Não obstante a consideração que todos os candidatos me merecem, na realidade as hipóteses plausíveis de eleição recaem sobre Manuel Alegre e Cavaco Silva e as escolhas são, na minha opinião, absolutamente claras. Por um lado, temos uma pessoa que acarreta uma genuína esperança no futuro e que nos faz acreditar que é possível um outro país, mais justo e mais próspero. Um país que quando olha para o espelho vê, apesar das dificuldades e de um manto de incerteza, potencialidades e possibilidades reais de trilhar outro caminho. Do outro lado temos um candidato que representa a dimensão da resignação face ao actual contexto que o país está a viver e uma inequívoca desresponsabilização das opções políticas. Sim, a crise que estamos a viver é complicadíssima mas tem a ver com as opções políticas feitas ao longo das últimas décadas, nas quais Cavaco Silva foi um dos protagonistas de primeiro plano. Por isso a minha escolha recai sobre Manuel Alegre e passo a enumerar as razões que sustentam a minha opção. A primeira razão centra-se no momento muito difícil que o país está atravessar e nas razões que fizeram com que Portugal entrasse nesta situação aflitiva e de desespero maioritário. A economia do país está de rastos. Existem perto de 600 mil pessoas desempregadas, sendo que perto de 40% não estão a receber nenhum tipo de apoio do Estado. Portugal, no quadro da União Europeia, é o estado-membro que apresenta maiores desigualdades entre os ricos e os pobres. A situação é muito difícil, mas não é trágica e o caminho a ser percorrido depende dos portugueses e de quem é escolhido para guiar a nação, nação que, em tempos mais remotos, foi pioneira nas descobertas mas que hoje luta para sair da periferia da Europa. O candidato Cavaco Silva, face às responsabilidades governativas que teve, não está em condições de se alienar da actual situação do país, e muito menos de se apresentar como activo de primeira linha para ajudar a procurar novas soluções para o desencanto de Portugal e dos portugueses. A segunda razão tem a ver com a relação muito pouco amigável do candidato Cavaco Silva com os Açores e com a sua autonomia. A polémica exagerada em torno da Lei das Finanças Regionais e, mais recentemente, a sua intervenção por causa da compensação remuneratória, constituem dois bons exemplos. A terceira razão tem a ver com a imigração, tema que não mereceu, durante a presidência de Cavaco, qualquer palavra ou acção de relevo em torno da valorização dos imigrantes em Portugal. Aliás, recordo que na anterior campanha presidencial demonstrou uma visão errada e preconceituosa em relação aos imigrantes, quando disse que Portugal necessitaria de uma política correcta de controlo dos fluxos migratórios, senão 10 milhões de imigrantes estariam ávidos e à porta da nação portuguesa implorando para entrar. É altura de sairmos do conforto dos nossos sofás e das convicções silenciosas. As próximas eleições constituem uma oportunidade crucial para colocarmos as nossas certezas ao serviço do bem comum. Não deixemos que nos influenciem com o argumento falacioso do papel pouco importante que o Presidente de República assume no actual sistema político português; ou ainda dos que defendem que a força das convicções é um atributo pouco relevante no exercício das funções de um Presidente da República. Portugal não precisa de um D. Sebastião único, apesar de muitos acreditarem que sim. Cada português precisa de ser ele próprio um D. Sebastião e, se cada um assumir este papel, seguramente que o país irá trilhar um novo caminho, onde um Presidente como Manuel Alegre, com a paixão das suas convicções e o forte amor a Portugal, nos ajudará a lá chegar.
Publicado no dia 05/01/2011 no Jornal " Açoriano Oriental"

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