O flagelo do desemprego

1.Em 2011, o poder político, na região e no país, tem de estar focado no combate ao desemprego que, continuando a crescer, colocará em causa os frágeis alicerces da coesão social. Os números não deixam margens para dúvidas. No país, estão inscritas 550846 pessoas desempregadas, sendo que apenas 316695 recebiam, em Outubro, o subsídio de desemprego. Na sequência das medidas de combate à crise impostas em Julho último pelo governo da República, mais de 230 mil desempregados (57,5%) estão sem qualquer tipo de apoio de desemprego. O cenário na realidade é bem pior, pois há um número não desprezível de desempregados que não entram na contabilidade oficial. Na Região, apesar de ser verdade que continuamos a ter das mais baixas taxas de desemprego do país, a proporção, no entanto, que o fenómeno tem assumido exige um acompanhamento permanente e medidas fortíssimas para a sua minimização. No final do mês de Novembro, estavam inscritas mais de 6000 pessoas nos diferentes centros de emprego e desconheço o número de pessoas que não estão a beneficiar de nenhum tipo de apoio. Não falo, por isso, em intenções de medidas e muito menos daquelas que visam tirar das estatísticas os desempregados. Falo sim de acções concretas que visem diminuir o número de desempregados e de criar condições para os que não conseguem emprego não caírem em situação de emergência social. Por isso, peço aos responsáveis políticos o seguinte: dêem, por favor, uma atenção particular ao drama do desemprego e uma maior seriedade na sua abordagem. Quando falo em seriedade refiro-me, essencialmente, a atenção que se deve ter face aos diferentes tipos de desempregados. Apesar da importância inquestionável que as habilitações literárias assumem enquanto factor potenciador de empregabilidade, o número de desempregados com formação superior tem vindo a crescer. A nível nacional 68 mil desempregados são licenciados sendo que a este nível as respostas têm de ser necessariamente diferentes. Por outro lado, temos os desempregados de longa duração que assumem uma particular expressão estatística na Região. As baixas qualificações e pouca possibilidade de alternância em relação ao sector de actividade são aspectos mais marcantes no grupo de pessoas que está há mais de um ano no desemprego. Mas, também, as motivações das pessoas que foram confrontadas com o flagelo do desemprego não são homogéneas. Existem, seguramente, muitas pessoas que estão motivadas e que diariamente tentam encontrar novas alternativas. Existem outras que assumem uma maior passividade em relação ao desemprego e ficam dependentes de respostas públicas. Mas ainda existem aquelas que, perante um cálculo racional preferem depender do subsídio de desemprego do que trabalhar, apesar de acreditar que este é um comportamento minoritário. Um outro desejo para 2011, que se prende justamente com as respostas públicas, é que os que decisores políticos devem sair dos seus gabinetes para sentirem o pulsar dos problemas com as pessoas reais. Bem sei que o tempo é escasso e que quem decide baseia-se nas informações que lhe são fornecidas pelos diferentes assessores e técnicos. Por isso, peço: saiam mais vezes em 2011 e falem com as pessoas, pois vamos ter problemas sociais complicadíssimos e que exigem um conhecimento real e permanente. Mas também, quero fazer um outro desejo em 2011. O Estado, por mais que queira não pode fazer tudo. Neste sentido, será exigido de todos uma postura mais pró-activa na busca de melhores alternativas para os diferentes problemas que temos pela frente e, em especial, do desemprego. Numa Região como os Açores em que existe uma particular dependência da esfera pública, é um imperativo que as respostas não sejam encontradas exclusivamente junto do poder político. Temos problemas demasiados complexos para alienarmos as nossas responsabilidades

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