If you can't fly then run, if you can't run then walk, if you can't walk then crawl, but whatever you do you have to keep moving forward.” Martin Luther King
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
O nosso Estado Social
Começo o artigo, utilizando uma palavra pesadíssima – paradigma – que significa basicamente modelo. Segundo Kuhn (1978), fazendo referência à sociedade “ao adquirir um paradigma, adquire igualmente um critério para a escolha de problemas que, enquanto o paradigma for aceite, poderemos considerar como dotados de uma solução possível”. Por isso, vou usar o termo “paradigma” para dizer que Estado Social está, infelizmente, obsoleto. Digo infelizmente porque é salutar os actuais níveis que muitos países ocidentais, nomeadamente, Portugal, chegaram em termos de protecção social. O problema é que o Estado Português está teso, ou seja, não tem dinheiro para acudir a tudo e a todos. Dito de outro modo, parece-me que a solução para os vários problemas que estamos a atravessar não está a ser encontrada no actual Estado Social que temos e, precisamos, por isso, de refundar um novo compromisso social, sob pena de defraudarmos as expectativas das pessoas e de potenciar sucessivas tensões sociais. Construímos uma sociedade assente em direitos e, de repente, percebemos que os direitos legitimamente conquistados estão a ser colocados em causa por incapacidade do Estado em respeitá-los. Diminuir o salário de qualquer pessoa - neste caso de funcionários públicos -, mesmo que transitório, é o exemplo perfeito da situação atrás referida. Não tenho dúvidas da importância que as organizações sociais assumem no processo de mudança e na reivindicação dos muitos direitos e, se não fosse este percurso de pressão, seguramente que estaríamos a viver numa sociedade com menos direitos e mais desigual. Vivemos uma crise e, pela própria definição do termo, ela será ou pelo menos esperamos que seja transitória. O próximo ano será complicadíssimo para todos. Aqui na Região e, não obstante o esforço do Governo Regional em minimizar o impacto, não tenhamos ilusões do impacto negativo que esta crise terá, sobretudo, junto de pessoas mais vulneráveis. Os apoios sociais para as pessoas vulneráveis já começaram a sofrer o tal impacto negativo; já há sinais de redefinição de compromissos anteriormente contraídos em sectores que têm alguma importância no desenvolvimento de qualquer sociedade. É certo que quem nos governa tem culpa, pois, os caminhos foram traçados por eles. Mas, em última instância, todos nós somos culpados e não é sério atribuir a responsabilidade da situação actual unicamente ao José Sócrates e ao seu governo. Mas, também, estamos a viver períodos contraditórios. O subsídio de desemprego é um exemplo perfeito desta contradição. Muitas pessoas desempregadas e que recebem o subsídio de desemprego não estão dispostas a trabalharem a troco de qualquer remuneração, já que muitas vezes o valor a receber para exercer uma determinada função é muito próximo do subsídio de desemprego. Por outro lado, o empregador não está disposto (algumas vezes não tem condições) para pagar um salário muito superior porque acredita que a próxima pessoa aceitará o lugar. Este desencontro origina um campo que não é preto nem branco, absolutamente contraditório, e é muito difícil encontrar respostas. A mesma contradição é aplicada ao rendimento social de inserção que tende a criar, na opinião pública, a ideia de que o instrumento serve para favorecer um bando de preguiçosos. Por isso, a crise que nós estamos a viver e a própria hipótese de Portugal solicitar ajuda externa para resolver os seus problemas, está a revelar que as coisas terão de mudar no futuro, sendo urgente a emergência de um novo compromisso social onde quem tem mais tem de ter mais deveres para com o colectivo; mas também para que quem tenha menos possa ter a consciência do esforço que deve fazer para compensar o apoio que lhe é dado. Os recursos serão cada vez mais escassos e Portugal terá forçosamente de redefinir novas prioridades, novos direitos e, porventura, novos deveres.
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2 comentários:
Quando as pessoas anonimamente fazem comentário do tipo perdem toda a razão.No seu caso, apetece-me mando-lo para aquele sítio que,pela sua forma de estar, sentir-se-a muito bem por lá.
não percebi
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