Os espíritos irrequietos 3

A OCDE divulgou ontem números encorajadores que colocam Portugal com uma média acima dos países da OCDE no que concerne a taxa de cobertura do ensino pré-escolar. Por outro lado, confirmou-se que Portugal é um dos três países onde um licenciado tem o maior retorno financeiro em comparação com pessoas portadoras de escolaridades inferiores. Mas também os dados apresentados nos dizem que a média de pessoas com a licenciatura em Portugal está abaixo do quadro europeu. Este dado acaba por ser um paradoxo, tendo em conta que está a crescer o desemprego dos licenciados em Portugal, assistindo-se inevitável e compreensivelmente a um defraudar de expectativas de quem tira um curso e que pretenda exercer uma actividade profissional compatível com as novas habilitações. O problema é que o mercado de trabalho não consegue absorver, na mesma proporção que seria desejável, os milhares de licenciados que todos os anos são produzidos pelas universidades. Esta situação paradoxal exige, na minha perspectiva, uma resposta: continuar a apostar na formação das pessoas mas, em simultâneo, explicar-lhes que ter um diploma é apenas mais um instrumento de mobilidade. As coisas alteraram-se mas ainda prevalece a ideia de que ter um diploma é sinónimo de emprego. Vale a pena, por isso, sermos de espírito irrequietos e tentar com várias ferramentas sermos úteis no local onde estamos.

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