Precisamos de poetas

Não é novidade para ninguém que vivemos tempos difíceis, pelo menos, para os que nada ou pouco têm e para os que vivem na “corda bamba”, ou seja, denominados da classe média.
Temos aquela coisa que se chama PEC. Os dois homens mais relevantes da actual política portuguesa, reuniram-se para tentarem encontrar um consenso sobre as questões estruturais para o país e passar, por conseguinte, uma mensagem de estabilidade e credibilidade para o mercado financeiro internacional que, teimosamente, anda a colocar Portugal no mesmo caminho que a Grécia. No final do encontro, a primeira medida que foi anunciada e destacada pelos órgãos de comunicação social foi a alteração das condições de atribuição do subsídio de desemprego. Basicamente, atacou-se a franja da população que, como não está a trabalhar, nem pode fazer uma greve. Quem está no desemprego a receber o subsídio não está, muito menos, em condições de fazer uma manifestação a exigir que não lhe seja retirado o direito de receber o subsídio.
A questão do subsídio de desemprego é muito simples; as pessoas fazem os seus descontos e como existe o risco do desemprego e, por consequência, da ausência de rendimentos com custos colectivos, entendeu-se criar um apoio transitório e localizado do tempo. Face à situação económica complicada que o país atravessa é indiscutível que todos são chamados a dar o devido contributo, sendo que os sacrifícios têm de ser obrigatoriamente transversais e proporcionais aos rendimentos. No entanto, foi transmitida uma mensagem completamente errada quando a primeira medida que se anuncia para melhorar as finanças do país é a alteração das condições de atribuição do subsídio de desemprego, ou seja, para os que estão mais fragilizados. Sei que há pessoas que abusam do subsídio de desemprego e desvirtuam os seus propósitos. Sei, também, que há pessoas que com o subsídio desemprego têm mais rendimento do que alguns que trabalham. Mas acredito sinceramente que a maioria das pessoas que recebem o subsídio querem reintegrar-se no mercado de trabalho, até porque o trabalho não serve apenas para garantir um determinado rendimento, serve também e, sobretudo, que as pessoas se sintam úteis à sociedade. Por exemplo, o candidato liberal-democrata Nick Clegg às eleições inglesas do próximo dia 4 sugeriu algo interessante e uma abordagem mais positiva na questão da atribuição dos subsídios, através da criação de um bónus para os desempregados que conseguem, entretanto, e num determinado período, entrar para o mercado de trabalho. Em vez de uma abordagem negativa da questão do subsídio do desemprego, ou seja, de que as pessoas que recebem o subsídio são um conjunto de perigosos, porque não ajudá-las de forma mais positiva para saírem do desemprego que pode afectar, infelizmente, qualquer um de nós. Vivemos, pois, num país cada vez mais desigual; vivemos num Portugal em que os próprios portugueses estão a deixar de acreditar; num Portugal que está gradualmente e perigosamente a pensar que não vale a pena; que não vale a dar mão aos que mais precisam; que não vale a pena sermos mais qualificados porque o mercado não valoriza; que não vale a pena participarmos politicamente porque não será possível alterar o estado de coisas; um país em que cada vez há mais pessoas que prescindem de ter um voz activa na escolha dos governantes. Por isso, eu acredito que a paixão dos que nos guiam e nos governam assume um importância brutal para o despertar colectivo e do assumir que é possível um país melhor, menos desigual e mais próspero.
Platão disse que “todo homem é poeta quando está apaixonado." Portugal precisa da paixão dos portugueses para a construção de um país melhor. Os portugueses precisam de um poeta para se poderem sentir verdadeiramente apaixonados por este país que tem tanto para dar ao mundo. A paixão e as pessoas podem fazer toda a diferença.

Comentários

Valdecy Alves disse…
Amigos poetas blogueiros, parabéns por utilizarem a internet como forma de dividir com o mundo o seu pensar, o seu compreender, desempenhando a missão do poeta que é se afirmar como ser humano, sobretudo perante si mesmo, captar os arquétipos coletivos de sua época e princípios universais, permitindo após compreender-se ou não compreender-se, que pela sua obra os da sua época tenham referência alternativa para fazer a leitura do mundo e as gerações posteriores entenderem a própria história da humanidade. Tudo temperado pelo sonho, pela sensibilidade e pela utopia. PASSOU A ÉPOCA DE ESCREVERMOS E GUARDAR NA GAVETA NOSSAS CRIAÇÕES DEPOIS DOS MAIS PRÓXIMOS FINGIREM TER LIDO PARA NOS AGRADAR. Através do meu blog quero aprensentar-lhes a video-poesia, que usa várias linguagens de uma só feita, a serviço do texto. Se gostar divulgue e compartilhe com os seus contatos. Acessar em:

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