Portugal dos diagnósticos

À medida que o tempo vai passando por todos nós ganhamos a clara noção de que não existem medidas mágicas para os problemas. Sabemos todos que o único possível caminho é o trabalho árduo e permanente sobre as soluções. Ontem, enquanto estava a assistir ao programa Prós e Contras reforcei a minha convicção de que Portugal é, definitivamente, um país exemplar em diagnosticar. Soluções nem vê-las. Eu sei e todos sabemos que Portugal precisa desesperadamente de colocar as suas contas públicas em dia, objectivo que passa necessariamente por diminuir as despesas e aumentar as receitas. O problema é como fazer isso sem descurar a ajuda aos mais pobres, sem gerar desempregos etc. Sei e todos sabemos que a educação é o calcanhar de Aquiles do País e que a manter os actuais níveis de escolaridade Portugal terá um lugar cativo na cauda da Europa. O problema é como fazer isso? Quando se massifica a acesso à formação, nomeadamente do nível superior, algumas vozes surgem com o discurso de que o país andou a formar doutores para o desemprego, já que a estrutura produtiva não consegue absorver todos os diplomados. No entanto, não massificando o ensino superior, Portugal continuará com os mais baixos índices de escolaridade e tal a diversificação do sistema produtivo assente nas novas tecnologias continuará ser uma miragem. Sabemos ainda que o rendimento social de inserção, sendo uma medida muito positiva na sua génese e consequência para muitas famílias, tem gerado situações de claro desincentivo racional ao emprego. Isso todos nós já sabemos e mais uma vez o problema é como garantir que milhares de pessoas possam ter o mínimo para sobreviverem sem gerar efeitos perversos? Sabemos ainda que a sociedade portuguesa está a envelhecer e a situação só não é ainda mais dramática graças à presença dos imigrantes. Enfrenta-se, no entanto, o dilema entre aumentar a idade da reforma e, por consequência a possibilidade do Estado arrecadar mais dinheiro para garantir alguma sustentabilidade do sistema da Segurança Social e convergir com a ideia do envelhecimento activo ou, por outro, ir ao encontro das legítimas expectativas das pessoas em trabalharem até aos 65 anos. Enquanto isso, sabemos ainda que apesar da necessidade em construir uma sociedade em que todos nós sairemos a ganhar com a valorização dos mais velhos em simultâneo com a criação de espaços para os mais novos, muitas ofertas de trabalho continuam teimosamente a fazer da idade um factor de exclusão. Na Saúde, sabemos que o problema crucial é a falta de médicos, sobretudo, nas regiões mais periféricas. Todavia, quando uma nova universidade aparece a leccionar o curso de medicina a Ordem dos Médicos entra em stress com argumento de que a qualidade pode estar em causa. O tempo está a ficar cada vez mais escasso e o País e os Açores precisam de soluções, pois todos nós já sabemos quais são os problemas.

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