As banalidades importantes


É banal afirmar que vivemos uma época sem precedentes em relação ao acesso à informação e por consequência a nossa capacidade enquanto cidadãos para intervirmos para o bem-estar colectivo é muito maior. Muitos podem advogar que existe, nos nossos dias, um excesso de informação, e até certo ponto é verdade. O exemplo mais imediato que me ocorre tem a ver com a cimeira sobre as alterações climáticas que está a decorrer em Copenhaga. O cidadão comum, que não percebe quase nada sobre as questões climáticas (pelo menos numa perspectiva mais científica), fica perdido perante a carga de informação que é produzida, sendo que muitas vezes os argumentos são completamente contraditórios. Neste mundo de informação excessiva e instantânea eu inclino-me para a tese de que precisamos de dar mais ferramentas às pessoas no sentido de estarem em condições de filtrar as informações que chegam por diferentes caminhos e, à custa disso, possibilitar que tenham um posicionamento seguro sobre uma determinada matéria. É banal também afirmar que vivemos num planeta que é de todos nós e isso significa ainda uma outra banalidade: precisamos uns dos outros. O planeta é nosso e não dos outros. Mesmo estando aqui, nestes grãozinhos de terra no meio do Atlântico, temos de ter uma perspectiva pró-activa na defesa do ambiente. A luta pela sustentabilidade ambiental, a par com meia dúzia de outros problemas, exige inevitavelmente uma intervenção à escala global que não se compadece com visões sectárias. Se a China ou Estados Unidos continuarem a fazer orelhas moucas em torno das alterações climáticas todos nós pagaremos a factura (também é uma outra banalidade). O ambiente não é a minha praia. No entanto não sou suficientemente estúpido para não perceber que se não houver na Cimeira de Copenhaga um compromisso justo, ambicioso e vinculativo entre os todos Estados, estaremos a deixar um planeta ruinoso para as gerações vindouras. Uma outra banalidade é dizer que a sustentabilidade ambiental exige, de igual modo, uma intervenção local suficientemente ambiciosa em que os Açores não podem ficar alheios. Temos na Região os nossos desafios que exigem uma mediação planeada e cujas respostas devem ser dadas de forma permanente aos cidadãos: lembro dois deles: a situação das nossas lagoas e a gestão (eficaz ou não) dos resíduos.

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