Alguns dramas na intervenção social

Com muita pertinência, o Presidente do Governo Regional apelou a uma maior cooperação entre as instituições sociais, tanto no apoio directo às populações como na utilização de alguns equipamentos sociais. O facto, é que se assistiu na Região, nos últimos anos, a um grande crescimento de instituições sociais justificado pela emergência de novas problemáticas sociais mas, também, como fruto da própria dinâmica da sociedade civil açoriana. É consensual afirmar que as instituições do Terceiro Sector (entidades sem fins lucrativos) desempenham um papel central e insubstituível no processo de integração de vários públicos. A proximidade que elas assumem com as pessoas, o trabalho de terreno que desenvolvem no apoio directo às pessoas aliado à possibilidade de auscultarem e vivenciarem de perto os problemas quotidianos dos indivíduos concorrem para a existência desse papel muito específico e de primeira linha das instituições do terceiro sector. Na convergência desses aspectos, vale a pena sublinhar o papel de interlocutores privilegiados que essas instituições assumem junto dos órgãos de decisão, tanto na perspectiva de contribuírem para colocar na agenda pública e política algumas das questões relacionadas as áreas de intervenção como no papel de reivindicação de direitos de determinados públicos. Portanto, quero sublinhar a importância que as instituições do terceiro sector desempenham no trabalho social na Região. Apesar de algumas experiências interessantes existentes nos Açores em matéria de concertação entre as várias instituições, julgo que existem muitos aspectos a serem melhorados, nomeadamente o trabalho em rede e, por consequência, a maximização dos recursos humanos e financeiros (que são sempre escassos), tendo como centro de acção as pessoas. Face à multiplicidade de instituições do terceiro sector existente nos Açores, o risco de trabalho duplicado é muito real e por comodidade ou receio de interpretações erradas raramente fala-se nesse aspecto. O problema de tudo isso é que quem perde são as pessoas que precisam desse trabalho de intervenção social e ainda bem que o Presidente do Governo falou nesse assunto. Tenho, porém, a convicção de que cabe às instituições admitirem que todos nós perdemos com a estratégia de “trabalho de capelinhas” e que a cooperação genuína é melhor caminho.

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