Os muros invisíveis da intolerância

O nosso processo civilizacional tem dado provas de que quando existe efectivamente vontade somos capazes de derrubar muros e de construir coisas em que todos os homens e mulheres deste planeta sentem orgulhos. É verdade, também, o outro lado da questão, ou seja, que quando existe má fé e mediante a apatia de alguns, somos capazes de barbaridades que põem em causa e, de forma primária, a nossa racionalidade. A queda do muro de Berlim, foi o somatório de vontades e o extraordinário é que uma única data determinou um novo contexto e ordem mundial. Hoje, não temos o muro de Berlim mas temos outros que exigem a nossa garra para os eliminar. O muro da intolerância e da discriminação. Ocorre-me o assunto que está na ordem do dia que é o reconhecimento de casamento entre pessoas do mesmo sexo. Espero vivamente que o PS não caia na tentação de andar às voltas com o tema. Houve um compromisso claro com os eleitores nesta matéria e o parlamento tem toda a legitimidade para resolver o assunto e estaríamos a empurrar o assunto com a barriga caso se opte pelo referendo. Espanha, que fica aqui ao lado (muitas vezes parece que não é vizinha de Portugal) já resolveu a questão e Portugal anda ainda a discutir o sexo dos anjos. As pessoas vivem como se sentem feliz e o Estado não tem o direito de discriminar em função da orientação sexual dos seus membros. Existem ainda outros muros cuja luta é igualmente difícil. Falo dos movimentos de pessoas. Todo nós passamos a vida a falar da importância da imigração, da interculturalidade e de temas afins. Temos, por exemplo, na Europa, um crescimento mais ou menos silencioso de partidos de extrema-direita em que qualquer coisa que aconteça de mau é culpa dos imigrantes. Tenho a clara noção de que imigração põem em causa, inevitavelmente, o conceito de Estado Nação (da forma como o conhecemos) ou a ideia de uma cultura homogénea. O problema é fazer o difícil e necessário equilíbrio e se não formos capazes de gerir de forma inteligente as migrações estaremos a construir e reforçar os muros de intolerância.

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