If you can't fly then run, if you can't run then walk, if you can't walk then crawl, but whatever you do you have to keep moving forward.” Martin Luther King
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Os muros invisíveis da intolerância
O nosso processo civilizacional tem dado provas de que quando existe efectivamente vontade somos capazes de derrubar muros e de construir coisas em que todos os homens e mulheres deste planeta sentem orgulhos. É verdade, também, o outro lado da questão, ou seja, que quando existe má fé e mediante a apatia de alguns, somos capazes de barbaridades que põem em causa e, de forma primária, a nossa racionalidade. A queda do muro de Berlim, foi o somatório de vontades e o extraordinário é que uma única data determinou um novo contexto e ordem mundial. Hoje, não temos o muro de Berlim mas temos outros que exigem a nossa garra para os eliminar. O muro da intolerância e da discriminação. Ocorre-me o assunto que está na ordem do dia que é o reconhecimento de casamento entre pessoas do mesmo sexo. Espero vivamente que o PS não caia na tentação de andar às voltas com o tema. Houve um compromisso claro com os eleitores nesta matéria e o parlamento tem toda a legitimidade para resolver o assunto e estaríamos a empurrar o assunto com a barriga caso se opte pelo referendo. Espanha, que fica aqui ao lado (muitas vezes parece que não é vizinha de Portugal) já resolveu a questão e Portugal anda ainda a discutir o sexo dos anjos. As pessoas vivem como se sentem feliz e o Estado não tem o direito de discriminar em função da orientação sexual dos seus membros. Existem ainda outros muros cuja luta é igualmente difícil. Falo dos movimentos de pessoas. Todo nós passamos a vida a falar da importância da imigração, da interculturalidade e de temas afins. Temos, por exemplo, na Europa, um crescimento mais ou menos silencioso de partidos de extrema-direita em que qualquer coisa que aconteça de mau é culpa dos imigrantes. Tenho a clara noção de que imigração põem em causa, inevitavelmente, o conceito de Estado Nação (da forma como o conhecemos) ou a ideia de uma cultura homogénea. O problema é fazer o difícil e necessário equilíbrio e se não formos capazes de gerir de forma inteligente as migrações estaremos a construir e reforçar os muros de intolerância.
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