A farsa da CPLP?

Portugal e mais 7 países têm uma organização que se chama CPLP. Unidos por um património linguístico e histórico, os membros tentam usar essa organização para o fortalecimento das relações de cooperação entre eles, bem como pela própria dinamização e a promoção da língua portuguesa. Pessoalmente, acredito no projecto da CPLP, apesar de ter a clara noção que, alguns projectos que são essenciais para devolver a comunidade às pessoas e fazer com que sintam que existe um verdadeiro espaço lusófono, ficam sempre na gaveta ora por falta de visão política a longo prazo, ora por políticas que contrariam o próprio sentido da comunidade. Daria dois exemplos: O estatuto do cidadão lusófono, ou seja, a possibilidade de livre circulação dentro do espaço da CPLP, nunca saiu do papel e tenho a absoluta convicção de que sem esse passo, a comunidade lusófona continuará a ser muito pobre e em permanente agonia. Sei que, face à integração de muitos países integrantes da CPLP em organizações regionais, como é o caso de Portugal, no âmbito da União Europeia, o Brasil, no Mercosul, dificulta a assunção deste projecto ambicioso mas fundamental para a afirmação da CPLP. No âmbito dos projectos eleitorais, quase todos os partidos convergem na necessidade do reforço da CPLP enquanto quadro privilegiado das relações externas de Portugal. No entanto, todos são omissos (com excepção do PS) em relação ao projecto do cidadão lusófono. Mesmo o PS, não se comprometeu com a criação da figura do cidadão lusófono; diz apenas que irá diligenciar neste sentido. Isso para dizer que, Portugal ao não prestar a devida atenção ao seu relacionamento com os países falantes da língua portuguesa, comete um erro estratégico, até porque, mesmo com argumentos meramente económicos, essa aposta seria inteligente. Perante a crise económica que estamos atravessar, alguns países que estão num acelerado processo de crescimento de desenvolvimento (Angola é um exemplo) tem constituído autênticos balões de oxigénio para muitas empresas portuguesas. Um exemplo, de uma opção política que contraria o próprio espírito da lusofonia, prende-se com a actual Lei da Nacionalidade. Sendo certo que houve progressos assinaláveis neste domínio mas ao exigir, por exemplo, que um angolano ou brasileiro, no âmbito do processo de naturalização, façam provas para demonstrar que têm conhecimentos de língua portuguesa, é dizer que quem fala o português é mesmo só os portugueses de nascimento.

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