A agenda da diáspora açoriana

Não é novidade para ninguém que a História recente da Região tem uma ligação fortíssima com o processo da emigração de milhares de açorianos para diferentes partes do mundo. Hoje, e ainda bem, os Açores deixaram de ser região de partida, o que significa que as pessoas vivem aqui inquestionavelmente muito melhor, colocando de lado a hipótese de concretizarem um projecto migratório de forma desesperada, como a única forma para garantir, em alguns casos, a sobrevivência do próprio e da sua família. Face a essa partida de açorianos para outras latitudes, os Açores têm hoje o que podemos chamar a décima ilha açoriana constituída por emigrantes açorianos e seus descendentes, que vivem e assumem a açorianidade de forma intensa e particularmente emotiva. Por isso vale a pena apostar, ainda de forma mais enérgica, no trabalho junto das comunidades açorianas, construindo e reforçando pontes e tentando usar todos os meios possíveis para aproveitar as potencialidades que essa décima ilha pode representar no processo de desenvolvimento dos Açores, mas também na afirmação de identidade açoriana no mundo. Não obstante os progressos alcançados, os Açores ainda têm problemas estruturais, sendo que o nível educacional muito baixo da sua população é, na minha perspectiva, o mais preocupante, e não tenhamos dúvidas de que a educação está a jogar, hoje, mais do que nunca, um papel decisivo num mundo cada vez mais global em que estamos em permanente competição e comparação com outras regiões e países e todas as ferramentas são úteis para ter uma posição relevante no mundo. No entanto, trabalhar junto dos descendentes de açorianos na diáspora, se por um lado assume maiores potencialidades (decorrentes de maiores níveis de escolaridade, melhores posicionamentos sociais etc.) constitui, por outro, um trabalho assente na paciência e numa visão de longo prazo. Um trabalho de paciência porque estamos a falar de uma população que não tem uma ligação tão intensa, pelo menos em comparação com os pais e não podemos esperar resultados imediatos; uma visão a longo prazo porque estamos perante um conjunto de pessoas com diferentes competências e que bem aproveitadas podem ser uma mais-valia para a Região e para o país. Isto para dizer que os Açores estão no momento em excelentes condições para tirarem partido da sua diáspora enquanto instrumento de afirmação dos Açores e de Portugal no mundo.

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