If you can't fly then run, if you can't run then walk, if you can't walk then crawl, but whatever you do you have to keep moving forward.” Martin Luther King
sexta-feira, 26 de junho de 2009
Participação política dos imigrantes
Julgo que todos nós estamos cientes do caminho que a democracia percorreu e que permitiu o alargamento progressivo das pessoas com capacidade de elegerem e de serem eleitas, no entendimento de que todos os cidadãos têm o direito e o dever de participar activamente na construção dos nossos destinos colectivos. Os imigrantes fazem hoje parte da sociedade portuguesa e da açoriana, e com a sua força de trabalho têm prestado um valioso contributo para o desenvolvimento do País e da Região e a compreensão do que é hoje Portugal e os Açores obriga-nos a ter em linha de conta a presença dos imigrantes (mais de 5000 nos Açores e perto de meio milhão a nível nacional). A AIPA, em convergência com a posição assumida pela PERCIP (Plataforma das Estruturas Representativas das Comunidades de Imigrantes em Portugal), tem vindo a fazer um esforço no sentido de colocar na agenda a questão da participação política dos imigrantes, ou seja, o direito de voto enquanto dimensão vital na sua integração, cujo défice e invisibilidade que lhes é remetida a nível de participação política é preocupante. A partir do momento em que uma parte da população portuguesa não é representada, a partir do momento em que os imigrantes são remetidos para essa invisibilidade, estamos a minar os próprios alicerces do regime democrático, onde todos devem co-responsabilizar-se, através do voto, na condução dos nossos destinos colectivos. Face ao gigantesco défice que existe em torno desta mesma participação que é condicionada pelo próprio quadro legal, da pouca sensibilidade e por consequência do fechamento na generalidades dos partidos políticos, e seguramente à pouca motivação dos próprios imigrantes, parece-nos concorrer para esta invisibilidade dos imigrantes na sociedade portuguesa que, actualmente, representam perto de 5% da população residente e 10% da activa. A inclusão política dos imigrantes é tão ou mais importante para a credibilidade do regime democrático do que noutras esferas sociais e por isso consideramos que não podemos ter pessoas a trabalharem e a contribuírem, ao lado dos portugueses, para um Portugal mais desenvolvido e próspero e, simultaneamente, ser-lhes negado um dos direitos cívicos básicos. Portugal está a balizar a participação política em torno de dois eixos: Por um lado, a partir da lógica da reciprocidade, que perante o actual quadro migratório português não faz sentido nenhum e Portugal não ganha absolutamente nada na manutenção dessa reciprocidade. Por outras palavras, esperar, por exemplo, que a Ucrânia reconheça a capacidade eleitoral passiva e activa dos cidadãos portugueses que aí vivem, para que Portugal possa atribuir o direito de voto aos ucranianos, é uma atitude completamente desajustada e contrária à nova realidade migratória em Portugal. Esta é uma questão de direitos individuais, de direitos de cidadania e não uma questão de diplomacia e dos negócios estrangeiros; O segundo eixo é o de confinar esta participação apenas às eleições autárquicas e excluindo as eleições regionais, legislativa e presidenciais que, sendo importante, é insuficiente e pouco lógico já que o contexto regional, nacional e europeu condiciona a vida dos cidadãos. A nossa expectativa é que Portugal possa rever o actual quadro legal de participação política dos cidadãos estrangeiros no País, pondo termo ao regime de reciprocidade, e estenda os direitos políticos aos imigrantes. É um desafio que se impõe, sob pena de minarmos o próprio conceito da democracia. Por isso é que a política de integração dos, imigrantes nos dias que correm, interpela os decisores políticos na construção de um novo conceito de cidadania em que o território não pode constituir um factor determinante na sua concepção.
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