O provedor dos políticos


1. Pessoalmente, tenho razões de queixa do ainda Provedor de Justiça que no outro dia disse isto do PS: “ eles comem tudo”. Reparem que o termo não foi utilizado numa entrevista oral em que, muitas vezes, as palavras nos podem atraiçoar. O Provedor deu a entrevista por escrito e, por isso, mediu cada palavra utilizada. Julgo que o desabafo do Provedor tem dois entendimentos: O primeiro é que os políticos, na sua generalidade, pensam, que os cidadãos são parvos. Isto porque depois da entrevista, todos os partidos entraram em paranóia na busca de uma alternativa para o enigma da substituição do Provedor, quase que passando a ideia de era a primeira vez que estavam a ser confrontados com o problema. Se todos já sabiam que o Provedor estava à espera há nove meses para ser substituído, qual é a razão por só agora todos parecerem estar preocupados em encontrar uma solução? A razão é simples: palco mediático. Por outras palavras, enquanto um problema não for apropriado pela comunicação social não constituiu problema e ninguém presta atenção.
O segundo entendimento é que a classe política em vez de pensar verdadeiramente nos cidadãos, está a pensar em primeiro lugar neles e na capacidade em “comerem tudo”, ou seja, de ocuparem todos os cargos que não deveriam, por definição, ter nenhum cunho político. Se é um Provedor de Justiça, não percebo e custa-me acreditar a existência desse jogo absolutamente desmotivante para a existência de uma relação séria entre os governados e os governantes. Por causa deste episódio, valeria a pena alterar o nome de Provedor de Justiça para Provedor dos Políticos. Querem um exemplo? Em Dezembro, a AIPA deu entrada com uma queixa contra o Estado Português por causa das tarifas áreas junto da Provedoria da Justiça. Passados três meses “nem ai nem ui” do Provedor, nem para dizer que recebeu e arquivou a queixa. Sabemos que deu entrada, porque os CTT têm uma coisa que se chama “ Carta Registada”. Depois a malta vem falar da transparência e na relação saudável entre a política e os cidadãos. Tudo treta.

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