Será que todos os pretos são obamas?

Irei falar uma vez mais sobre Barack Obama, abusando do meu entusiasmo. No outro dia, um amigo meu, imigrante, preto e que trabalha na construção civil, desabafou: "Agora lá nas obras todos me chamam de Obama. Claro que fico satisfeito", continuava esse meu amigo. "Mas não me senti à vontade com a nova alcunha", terminava de forma convincente.
A conversa ficou por ali e lá levei esse desabafo comigo para as minhas horas de reflexão tendencialmente inconsequente que, presumo, todos nós temos. No dia seguinte à tomada de posse, um conhecido meu, gritando do lado oposto do passeio, perguntou-me, em tom de brincadeira, se eu assisti à tomada de posse do meu primo. Também do lado oposto, acenei-lhe com a cabeça e em tom afirmativo que assisti a tomada de posse do meu primo. Claro que todos os pretos, negros, de cor,”afro-qq” ficaram, concerteza, satisfeitos com a eleição de Barack Obama para a Presidência dos Estados Unidos, convergindo num momento ímpar na História daquele país e do mundo que deve ser evidenciado e reforçado. Mas, essa vitória perpassa a questão da cor dos indivíduos. Eu acho que um dos grandes alicerces da vitória do Barack Obama foi a transversalidade da sua mensagem. Pessoas de todas as cores, credos e estatutos sociais aderiram sem precedentes à mensagem e ao conteúdo dos seus discursos. Envolvendo milhares de voluntários, houve um recenseamento em massa de pessoas que por um conjunto de razões nunca tinham votado. Esse mesmo grupo de voluntário suportou de forma exemplar a campanha do actual presidente. Isso, para dizer que estou ansioso que apareça um Barack Obama, homem, mulher, preto, branco, na Europa em Portugal. Tanto faz. O importante é que apareça e que seja capaz de transmitir a esperança e a confiança na liderança. A nossa classe política precisa de motivar e de transmitir uma coisa fundamental: confiança às pessoas. Precisamos de uma nova esperança nas lideranças. Apesar de todos nós sermos culpados pelo estado lastimoso que se encontra a relação dos políticos com as pessoas, a responsabilidade maior está sobre os primeiros. Precisamos de ver reflectido em todas as pessoas que nos governam a imagem de credibilidade e de competência inquestionáveis. Por isso, uma das formas de devolver ou mesmo criar essa esperança em todos nós, é passar a mensagem que quem está no centro da decisão está por mérito próprio e dificilmente outra pessoa exerceria melhor as suas funções.

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