O nós e os outros

O conceito de nós, é muitas vezes, tramado. Tramado porque implicitamente à noção do nós encontramos os “outros” e quando chega a hora “ h” a primeira coisa que fazemos é ver os tais “outros”. Mas, também, é tramado, porque legitima ou, pelo menos, fornece o necessário suporte para legitimar a exclusão. Por isso, eu acredito que a integração significa a extensão de um conjunto de direitos e deveres a determinados grupos que não entram na categoria do “nós” que foi construído. Foi assim com a escravatura e a luta dos negros; foi assim ainda com a questão das mulheres, nomeadamente, no exercício dos direitos políticos, já que os iluminados na altura acreditavam que as mulheres na política geravam efeitos perversos, tanto na política como nas dinâmicas familiares. Liberdade, igualdade, não podem ser conceitos vazios ou para simples embelezamento da retórica. Implica, essencialmente, ter a noção de que o “nós” é composto por uma abrangência de diversidade de pensamento, de cor, de convicção religiosa, de género, de orientação sexual, de origem, que tem que ser respeitados. Apesar de tarde, estou expectante sobre a discussão que a sociedade portuguesa, está a fazer em torno da legalização dos casamentos homossexuais. Aliás, a região não pode e nem deve ficar alheia a essa discussão. Gostei de ler a posição do líder regional do PS e seria interessante que outros líderes partidários na região se pronunciassem sobre a matéria, ou seja, se os “nós”, englobam ou não os indivíduos com uma orientação sexual diferente da maioria.

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