Versão Madeirense de "British Jobs for British Works!


O Presidente da Madeira já apropriou-se da versão britânica "British Jobs for British Works!", mas com sotaque da madeira acrescido de uma visão grotesca e irresponsável. Limitou, no âmbito da contingentação, para 20 o número de estrangeiros que podem ir trabalhar para a Madeira. As migrações constituem um excelente barómetro das crises, ou seja, as pessoas em situação de manifesta dificuldade nos países para onde pretendem emigrar, tendem a ficar nos seus países de origem. Por outras palavras, as migrações auto-regulam-se em função das oportunidades de trabalho. Não me preocupa, tanto o número máximo de 20 trabalhadores que se quer na Madeira que, em boa verdade, servirão para tratar dos jardins do Palácio do Alberto João Jardim. Preocupa-me sim a justificação para a tal limitação que possui, manifestamente, um carácter xenófobo, visando alimentar junto da população um sentimento de desconfiança e do discurso de bodes expiatórios. Todos nós sabemos que estamos a viver tempos difíceis. A tentação de discursos e práticas proteccionistas é grande. No entanto, não podemos esquecer que o modelo da sociedade que temos está, irreversivelmente, assente na ligação e interdependência entre nações. Por isso, as respostas têm, obrigatoriamente, de serem encontradas neste contexto global. A apropriação do “nós” verdadeiro, sobretudo, em tempo de crise é a opção sensata.

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