Sim, iremos conseguir

Ontem, enquanto ouvia o discurso da tomada de posse do Barack Obama, apeteceu-me ser americano. Porém, enquanto o Barack Obama discursava, confortei-me em ser um cidadão, um cidadão do mundo que, a partir do coração do atlântico, teve o privilégio de assistir a um momento histórico para os EUA e para o mundo; um momento, em que os Estados Unidos recuperaram a tocha da moralidade. No dia 20 de Janeiro, confirmou-se o sonho de muitos homens e mulheres que no anonimato lutaram para que o julgamento e posicionamento dos indivíduos não sejam conseguidos com base na cor da sua pele. No dia 20 de Janeiro, Martin Luther King, viu o seu sonho e o de tantos outros que acreditaram e acreditam na igualdade entre os Homens, tornar-se realidade. Posso, apriori, ser suspeito por frisar, uma vez mais, o argumento da cor do novo Presidente. Entendo, todavia, que uma das piores coisas que podemos fazer é esquecer o nosso passado colectivo (com tudo de bom e de mau que ele acarreta) e não valorizar as conquistas, mesmo que simbólicas, como é o caso. A segregação racial existiu. Foram muitos os pais que tiveram dificuldades para explicarem ao filho que ele não poderia frequentar uma determinada escola porque esta só acolhia meninos brancos e que ele teria de ir para uma outra escola. Há pouco mais de 40 anos, um indivíduo, por causa da cor da sua pele, não poderia votar e escolher os seus governantes; a sua cor não era digna para contribuir nas decisões do bem comum; décadas atrás a cor a sua pele determinava quem entrava num restaurante ou outro qualquer espaço público.
Ontem, vimos esse mesmo país a empossar um homem que encarna e representa uma nova América e uma nova esperança. Uma sociedade que nos diz que com trabalho árduo e com princípios qualquer um consegue alcançar os seus objectivos. Assistir à nação mais poderosa do mundo a superar a barreira do preconceito é um feito extraordinário.
O Barack Obama sentou-se, ontem, pela primeira vez na sala oval da Casa Branca. Por isso, impõe-se perguntar o quê que poderemos esperar dele? Algumas pessoas já chamaram atenção para o facto de que as expectativas são muitas altas e que é preciso geri-las com particular atenção.

É verdade que os desafios são enormes e a herança, dentro de fora dos Estados Unidos é pesadíssima: crise económica, sistema de saúde norte-americano praticamente falido, Iraque, Afeganistão, Médio Oriente, aquecimento global, são alguns dos temas que carecem uma resposta. É certo, também, que por detrás da sua vontade tem atrás dele uma equipa e uma máquina burocrática que é preciso liderar e o sempre difícil equilíbrio entre os interesses dos norte-americanos com os do resto do mundo. Porém, tenho fé na Presidência de Barack Obama; tenho esperança que ele será um grande presidente e, por causa disso, a sua poderosa mensagem “ Yes, we can”, ficará imortalizada.
No seu discurso de tomada de posse partilhou princípios muito claros: o príncipio de partilhar decisões e não de impô-las; a noção de que o poder não dá a ninguém o direito de fazer o que lhe apetece e que a forma melhor de exerce-lo é dar o exemplo; a certeza de que a cooperação é o meio mais eficaz que os governantes têm para enfrentarem os gigantescos problemas globais; o facto acreditar na diversidade étnica dos EUA, onde todos têm um lugar à mesa; a convicção da força e da necessidade do diálogo e da paz entre povos.
Barack Obama convocou ainda homens e mulheres de boa vontade para a construção de um mundo verdadeiramente melhor; pode não ser tão depressa como gostaríamos; mas iremos conseguir. God Bless You Mr President

Comentários

Me Myself And I disse…
O que poderemos esperar de Barack Obama? Simplesmente a MUDANÇA, e uma mudança robusta..Ele é uma alma cheia de ideais repletos de força. Acredito nele!
(Muito surpresa por te encontrar aqui,afinal não és apenas uma alma que me brindava com um sorriso sempre que pousava os olhos em mim, mas sim vejo que és consciência, sentimento,generosidade e força! Parabéns!)
Paulo Mendes disse…
Muito obrigado pelo simpático comentário.
um abraço

Paulo

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