Se a ministra pudesse enviava todos os professores para um outro planeta...

Confesso de que depois de várias tentativas no sentido de perceber o substancial das discordâncias entre a Ministra da Educação e os professores, fiquei com a estranha sensação de ignorância, ou seja, não percebi e não percebo nada. Entre outras conclusões desta minha ignorância, a principal é que existe um forte ruído e contra-informação de todos os actores envolvidos nesta polémica. Num país que precisa de educação como do pão para a boca, não percebo o porquê da amplitude desta confusão. O que eu tenho percebido, no entanto, em conversa com alguns professores, é que prevalece uma desmotivação aguda junto da classe. O que tenho percebido é que muitos destes professores, se pudessem mudar de área profissional, já o teriam feito. O que tenho sentido é que na escola o relacionamento entre professores é de uma competição prejudicial entre eles que entra em contradição, em muitos casos, com o modelo de ensino e de sociedade que queremos. A pior coisa que pode acontecer a qualquer classe profissional é a desmotivação colectiva e não tenhamos ilusões de que quem paga a factura, numa primeira instância, são os alunos e, a longo prazo, a própria sociedade portuguesa que terá no seu seio cidadãos cujos mentores constituíam, na altura, a classe profissional mais desmotivada. Não há muito tempo, ser professor representava uma actividade profissional muito valorizada socialmente e seguramente que, hoje, muitos de nós, guardam uma imagem de credibilidade dos nosso antigos professores, se não de todos, pelo menos, da maioria. Por isso, impõem-se muitas questões sendo que a primeira delas é se é assim muito difícil perceber que se existe classe que deve ser acarinhada é a dos professores e que qualquer reforma tem que ser feita numa base razoável de entendimento? É difícil perceber que a educação é o meio mais eficaz que temos à nossa disposição para combater a pobreza e construir uma sociedade com um grau de desenvolvimento que todos almejam? É muito difícil perceber que, quando temos professores desmotivados, teremos inevitavelmente um mau ensino, maus alunos e péssimos cidadãos? Entendo que esse não é um problema exclusivamente entre um governo e os professores; é um problema nosso e face à centralidade que a educação assume, ou melhor, que deveria assumir, não podemos ficar na bancada a assistir à desvalorização de uma actividade profissional que tem a nobre tarefa de preparar as pessoas para o futuro. Acredito que se esse braço de ferro acontecesse, por exemplo, na saúde, há muito que o governo já tinha cedido, por força da pressão colectiva porque entendemos que a saúde é uma área intocável. Será que a educação deve merecer a nossa alienação? Nos Açores, tenho a sensação de que as coisas estão, pelo menos, mais apaziguadas e oxalá que a minha sensação seja efectivamente uma realidade.

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