If you can't fly then run, if you can't run then walk, if you can't walk then crawl, but whatever you do you have to keep moving forward.” Martin Luther King
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
Se a ministra pudesse enviava todos os professores para um outro planeta...
Confesso de que depois de várias tentativas no sentido de perceber o substancial das discordâncias entre a Ministra da Educação e os professores, fiquei com a estranha sensação de ignorância, ou seja, não percebi e não percebo nada. Entre outras conclusões desta minha ignorância, a principal é que existe um forte ruído e contra-informação de todos os actores envolvidos nesta polémica. Num país que precisa de educação como do pão para a boca, não percebo o porquê da amplitude desta confusão. O que eu tenho percebido, no entanto, em conversa com alguns professores, é que prevalece uma desmotivação aguda junto da classe. O que tenho percebido é que muitos destes professores, se pudessem mudar de área profissional, já o teriam feito. O que tenho sentido é que na escola o relacionamento entre professores é de uma competição prejudicial entre eles que entra em contradição, em muitos casos, com o modelo de ensino e de sociedade que queremos. A pior coisa que pode acontecer a qualquer classe profissional é a desmotivação colectiva e não tenhamos ilusões de que quem paga a factura, numa primeira instância, são os alunos e, a longo prazo, a própria sociedade portuguesa que terá no seu seio cidadãos cujos mentores constituíam, na altura, a classe profissional mais desmotivada. Não há muito tempo, ser professor representava uma actividade profissional muito valorizada socialmente e seguramente que, hoje, muitos de nós, guardam uma imagem de credibilidade dos nosso antigos professores, se não de todos, pelo menos, da maioria. Por isso, impõem-se muitas questões sendo que a primeira delas é se é assim muito difícil perceber que se existe classe que deve ser acarinhada é a dos professores e que qualquer reforma tem que ser feita numa base razoável de entendimento? É difícil perceber que a educação é o meio mais eficaz que temos à nossa disposição para combater a pobreza e construir uma sociedade com um grau de desenvolvimento que todos almejam? É muito difícil perceber que, quando temos professores desmotivados, teremos inevitavelmente um mau ensino, maus alunos e péssimos cidadãos? Entendo que esse não é um problema exclusivamente entre um governo e os professores; é um problema nosso e face à centralidade que a educação assume, ou melhor, que deveria assumir, não podemos ficar na bancada a assistir à desvalorização de uma actividade profissional que tem a nobre tarefa de preparar as pessoas para o futuro. Acredito que se esse braço de ferro acontecesse, por exemplo, na saúde, há muito que o governo já tinha cedido, por força da pressão colectiva porque entendemos que a saúde é uma área intocável. Será que a educação deve merecer a nossa alienação? Nos Açores, tenho a sensação de que as coisas estão, pelo menos, mais apaziguadas e oxalá que a minha sensação seja efectivamente uma realidade.
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