If you can't fly then run, if you can't run then walk, if you can't walk then crawl, but whatever you do you have to keep moving forward.” Martin Luther King
sexta-feira, 19 de setembro de 2008
Mário casa com Mário. Maria casa com Maria. Qual é o problema
Exactamente. Qual é o problema? Um dos objectivos dos políticos é trabalharem para a felicidade das pessoas. Para cada um de nós, imbuído de convicções próprias e diferentes formas de viver a vida, a meta é ser feliz por estas bandas, não sabendo o que existe do outro lado, se é que existe. Para quem acredita que existe ainda bem, e para os que pensam o contrário resta atingir a felicidade aqui… aqui na Terra.Esta introdução meia chata vem a propósito do agendamento de discussão para 10 de Outubro sobre os projectos de Lei do Bloco de Esquerda e de Os Verdes sobre o casamento homossexual e a adopção. Depois de umas férias, aí está um tema que a direita e a esquerda têm para se entreter nos próximos tempos, se é que estamos a falar de uma questão ideológica.Eu sou a favor tanto do casamento como da adopção e é contraditório ser a favor do primeiro e mostrar alguma reserva em relação ao segundo.A questão, admito que é sensível (sobretudo a adopção) e merece alguma discussão na sua abordagem, pois a legalização da união homossexual, e consequentemente a adopção, irão mexer com o conceito, por exemplo, de família tradicional, dos valores etc. A minha premissa para a defesa do casamento homossexual é que, se existe um grupo de pessoas que entende que a sua felicidade está ao lado de uma a pessoa do mesmo sexo, o Estado tem a obrigação de criar as condições legais para que isso aconteça. Não se trata de gostos pessoais ou sequer de moralismo individual. Está em causa a construção de uma sociedade verdadeiramente igualitária nas oportunidades e não de uma sociedade que na teoria diz uma coisa e na prática assume formas de exclusão e de discriminação que, nos tempos que correm, não fazem sentido. Há um princípio, salvaguardado na constituição da República (artº 13), que é o da igualdade entre as pessoas: “Todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei”. Das duas uma: ou fazemos de conta que a constituição só serve para decorar a nossa democracia e (já agora) para o Presidente a ela recorrer de vez enquanto para cortar as pernas às tentativas de aprofundamento das autonomias, ou deve orientar-nos de forma genuína no sentido de edificação de uma sociedade que faz do exercício individual e da forma como é exercida a prova máxima de igualdade entre os cidadãos.Por outras palavras, devemos é ter uma sociedade que trata de forma igualitária os seus membros, independentemente da sua condição, orientação sexual etc. Não se pode gastar milhões em projectos para a igualdade de oportunidades e ao mesmo tempo ter coisas escritas que promovem justamente o contrário. Por isso, permitir o casamento homossexual e a adopção é dar um sinal claro de combate à homofobia, mas será sobretudo uma excelente mensagem para os portugueses no sentido de que as leis não podem nem devem ser o reflexo e a perpetuação de preconceitos mas sim uma forma de os combater. O PS já afirmou que vai impor disciplina de voto na bancada, no sentido de chumbar os projectos, uma vez que o tema do casamento homossexual não faz parte do programa do Governo para esta legislatura. O PSD, por sua vez, entendeu dar liberdade de voto à sua bancada, e à esquerda do PS existe uma correcta visão sobre a matéria.Em relação à adopção, e apesar dos argumentos serem mais sensíveis, o facto é que não existe consenso científico que nos leve a afirmar que um casal homossexual não satisfaz todos os direitos básicos da criança. De qualquer modo, e em relação à votação no próximo dia 10 de Outubro, acho que a melhor forma de assumpção de responsabilidade individual do deputado é os partidos darem liberdade de voto nesta matéria aos seus deputados. Por último, e já que estamos muito perto das eleições regionais, vale a pena saber o que pensam os nossos candidatos sobre a matéria.
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