Obamamania

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Se a eleição do próximo presidente dos Estados Unidos acontecesse hoje e dependesse do resto do mundo Barack Obama, seria o eleito para ocupar o gabinete oval da Casa Branca. Esta ideia assenta numa sondagem feita em alguns países (europeus) em que 52% dos inquiridos votariam no candidato democrata para a presidência. Confesso, também, que navego totalmente nesta onda da Obamamania e que se votasse no outro lado do atlântico, o meu voto iria para ele. Pelo discurso de esperança e, sobretudo, pela força das suas ideias de mudança, junto a minha voz de apoio a este homem que cresceu num meio potencialmente intercultural (filho de pai, negro natural do Quénia e de mãe branca dos Estados Unidos) mas que muito cedo viveu as amarguras de pertencer a uma minoria. De negro, preto, de cor e, finalmente afro-americano, Barack Obama experimentou, diria que inevitavelmente, todas esses apelidos que, faz confusão tanto aos pretos como os próprios brancos.

O percurso do Barack Obama e toda a expectativa que está a ser criada em torno da sua candidatura à Presidência dos Estados Unidos assenta, claramente, nas suas qualidades de liderança, de comunicação e, essencialmente, de ter uma ideia ou, se quisermos ainda, uma utopia para os norte americanos e, em última instância, para o próprio mundo.

A questão do Obama ser preto, negro ou afro-americano é secundária, e, simultaneamente, importante, dependo do ponto de vista de análise. O que as pessoas querem é um líder capaz, competente e com uma visão clara sobre o caminho que deverá ser percorrido. Visto as coisas desta forma e porque o Obama reúne estas qualidades, a cor da pele ou uma outra qualquer característica física não tem importância nenhuma. No entanto, temos de ver o mundo como ele é e não será concerteza, pelo facto de se ter um negro com fortes possibilidades de vir a ser o Presidente da potência mundial que o problema da discriminação racial fica resolvido, assim, de repente. Todavia, a candidatura do Obama à Presidência dos Estados Unidos, constitui, inquestionavelmente, uma revolução cultural, como o próprio Mário Soares, defendeu, na semana passada, no âmbito do Fórum Roosevelt que decorreu em Ponta Delgada nos Açores

Como já o disse em outras ocasiões, ainda carregamos o fardo de um passado terrivelmente trágico nas questões raciais. O mais recente, foi o Apartheid em África do Sul que vigorou até finais 1990. Portanto, foi ainda há 18 anos que o mundo sabia da existência de um país em que havia escolas para brancos e para pretos; autocarros para os mais claros e para os mais escuros; os pretos não podiam votar, com base na crença da inferioridade de uma pessoa em função da cor da pele.

No próprio Estados Unidos, há pouco mais de 40 anos que se pós termo a segregação racial e desde então o país tem lutado para que o problema racial fosse, efectivamente, resolvido.

Muitos acham que Barack Obama é mais um e que a única diferença é que ele tem em relação aos outros democratas é a cor da pele e que o seu projecto de mudança é muito vago. Acho que não e, assumindo os riscos próprios de quem não conhece a realidade concreta dos Estados Unidos, acredito que a forma como ele apresenta para gerir os problemas, a sua visão sobre o tema do Iraque e a própria noção do papel que os Estados Unidos devem ter no mundo, asseguram esta mudança.

Porém, há um perigo real que está relacionado com o facto de se depositar muitas expectativas sobre o Obama na resolução dos problemas domésticos dos Estados Unidos e do mundo. A sua exposição mediática está a ser explorada pelo seu adversário republicano, que está a fazer um anúncio comparando o Obama a celebridades como Britney Spears e Paris Hilton que são muitos populares que não sabem administrar nada.

Sozinho, seguramente, que ele não consegue resolver todos os problemas e nem é expectável que assim acontecesse. O que me motiva e, julgo, também, os norte-americanos que o apoia, é que o Barack Obama personifica alguma mudança; espero que este vento de mudança sopre para outras latitudes.

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