Rede Transatlântica 2020 (www.britishcouncil.org/TN2020)


Tive o privilégio estar em Berlim, nesta última semana, para participar a convite do Bristish Council, no primeiro encontro de um projecto denominado “ Transatlantic Network 2020 (TN 2020). Genericamente, o projecto, pretende fortalecer os laços entre a Europa e América de Norte, a partir da criação de uma rede sustentável de jovens líderes, provenientes de diferentes áreas de acção e formação, proporcionando-lhes o alargamento das suas próprias perspectivas e competências de liderança, ao mesmo tempo, que contribui para um futuro mais forte no relacionamento transatlântico.

O conhecimento mútuo, a existência de um diálogo franco e permanente entre as diferentes culturas, valores e formas de ver o mundo são, nos dias que correm, argumentos que não devemos menosprezar na procura de melhores soluções para os vários e complexos desafios que o mundo enfrenta, cujo papel, particularmente da Europa e a América do Norte, é fundamental.

Os desafios em torno das alterações climáticas, migrações, a protecção dos direitos humanos, a erradicação da pobreza, a educação, o comércio mundial, equidade económica e religiosa e conflito ideológica, só para citar alguns exemplos, diz-nos que estamos a viver uma época particularmente desafiadora e, simultaneamente, ameaçadora. Desafiadora porque sendo consequências do nosso estado actual, em que foi possível, também, alcançar progressos extraordinários em vários domínios, transmitem-nos algum ânimo para encontrarmos as melhores soluções, fazendo com que o planeta se transforme num lugar melhor para se viver. Mas, também, são ameaçadoras, porque o nosso destino colectivo depende justamente da nossa capacidade em encontrar as tais soluções, sob pena de minarmos os notáveis progressos conseguidos. Os efeitos das alterações climáticos, os movimentos migratórios como consequência dos conflitos armados ou da pobreza, a intolerância religiosa, por exemplo, têm consequências, com menor ou maior grau, sobre todos nós.

Por isso, a opção inteligente, é sentar as pessoas na mesma mesa e tentar perceber como poderemos enfrentar, em conjunto, alguns desses desafios.

Sob vários domínios, a Europa e América do Norte são actores da primeira linha no mundo, mas prevalece uma falta de conhecimento e de compreensão entre os dois continentes, não obstante da vontade existente no estreitamento das relações, conclusões que foram retiradas de um estudo encomendado pelo Bristish Council com propósito de avaliar o grau de relacionamento entre os europeus e norte-americanos e as percepções e imagens existentes entre ambos. A partir deste estudo, realizado na UK, EUA, França, Alemanha, Polónia, Turquia, Irlanda, Canada e Espanha, ficamos a saber que prevalecem estereótipos entre os dois lados do atlântico e a avaliação da cooperação entre os Americanos e os Europeus na busca de soluções para as questões globais é negativa. A título de exemplo, nas alterações climáticas 58% dos inquiridos avaliaram negativamente o actual estado da cooperação e 53% para as questões migratórias. Indo ao encontro ao que seria expectável, o relacionamento comercial foi a única área que mereceu uma avaliação positiva.
Foi mais ou menos neste contexto e na convicção que é possível fazer mais e melhor que decorreu o primeiro encontro do TN2020, na fria cidade de Berlim, em que contactando com pessoas provenientes de mais 17 países diferentes, percebi que existe uma vontade genuína de alterar o rumo das coisas. Percebi, também, que apesar das diferenças existentes todos identificam os mesmos desafios. Por isso, as discordâncias assentam não no diagnóstico mas sim no caminho que deverá ser percorrido e, mesmo neste último aspecto, é possível fazer a diferença.
O projecto está numa fase inicial e a primeira conferência do TN2020 irá ser realizada em Setembro próximo na Irlanda e a ideia é envolver nos próximos anos mais jovens no projecto e potenciar um diálogo transatlântico e mundial, de forma genuína e consequente.

www.ponteinsular.blogspot.com

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