O país do Fidel… Fidel Castro



O Fidel está quase a morrer. O comandante já tem 81 anos e a confiar na esperança média de vida dos cubanos (75 anos para os homens e 79 para as mulheres) já está com o bónus de 6 anos, o que não é nada mau.
A verdade é que Cuba não será a mesma coisa depois do deparecimento do Fidel. Nunca fui lá mas tenho esta vontade, igual a tantas pessoas, de querer conhecer a antiga colónia espanhola, com o Fidel ainda vivo. Acredito que isto poderá ser meramente um simbolismo e nem vale a pena perder tempo atrás de explicações mais ou menos racionais. Sei que se quero concretizar esta vontade, tenho é que despachar e a renúncia, depois de 49 de poder, das funções do Presidente do Conselho de Estado de Comandante Supremo das Forças Armadas é o prenúncio que algo vai mudar. Continua, no entanto, à frente do Partido Comunista Cubano que é organização que governa o país o que na leva a pensar que o país será governado, enquanto for humanamente possível, na sombra do seu líder histórico.

Dado a minha paixão e entusiasmo pela democracia e da vivência genuína da liberdade, não simpatizo minimamente com o regime que Fidel Castro impôs ao seu povo, salvaguardando, aqui, o meu pouco ou nenhum conhecimento real do dia a dia do povo cubano. De qualquer modo, e independentemente do nosso apreço que aí vigora, Fidel, pelo seu estilo e História já é uma das figuras incontornáveis do nosso tempo.

Fidel Castro liderou, até então, um país, onde qualquer indivíduo para sair para o exterior, tem de pedir permissão para o fazer; um país que se situa o lado dos Estados Unidos mas que o desafia permanentemente e, se calhar, quando o seu percurso vier a ser reescrito pelos historiadores, este será um dos aspectos mais salientes no relacionamento de Cuba com o resto do mundo.
Como disse anteriormente não conheço Cuba e vou tecendo a minha opinião do país a partir das conversas típicas com pessoas que foram lá apanhar sol, ou seja, os que pelas circunstâncias raramente se apercebem de alguma coisa; dos relatos da comunicação social que, como o comum dos mortais, sou também um consumidor; de troca de impressões com meia dúzia de cidadãos cubanos residentes na região e, por último, dos relatos e de uma experiência pessoal. O meu irmão mais velho, à semelhança com largas centenas de quadros cabo-verdianos, fez a sua formação em Cuba e, por causa disso, cresci a ouvir o nome de Cuba e, inevitavelmente, do Fidel Castro.

Lembro-me perfeitamente que ir comprar com os meus pais, respondendo aos pedidos do meu irmão, pastilhas elásticas e calças de gangas (Levi’s falsos) para enviar para lá. Dizia ele, nos escassos e rápidos telefonemas que fazia, que conseguia bons negócios lá e era uma forma de minimizar a falta de dinheiro. As tais pastilhas e calças de ganga falsas eram enviadas sempre com uma ou outra pessoa que ia passar férias a Cabo Verde. As ligações aéreas eram asseguradas pela companhia aérea Angola TAAG, num voo, proveniente de Luanda com escala na ilha do Sal. Geralmente, o voo trazia muitos militares cubanos que lutavam, na altura, ao lado do MPLA contra a UNITA. Era um voo de desespero, já que não tinha o dia certo de escala e, muito menos, a hora. A situação do atraso era dramática e, simultaneamente cómica, que apelidávamos a TAAG de Transporte Aéreos Atrasados de Angola.

O outro lado disto é que, por exemplo, a assistência médica em Cabo Verde deve muito à Cuba, não só na formação dos médicos cabo-verdianos mas no envio de médicos cubanos para lá. Estes últimos tinham uma relação de proximidade fantástica com a população. O meu avô gabava-se que era dos poucos que não precisava de se deslocar ao Hospital, porque o seu amigo médico cubano ia lá a casa.
Claro que iam casa das outras pessoas. O meu avô é que é um gabarolas
É desta forma, entre essas histórias, reais e simbólicas, que vou fazendo a minha opinião sobre Cuba, um país que precisa, no entanto, de deixar ser um país exótico para colocar-se miminiamente ao ritmo do mundo…pelo menos da liberdade e na vivência democrática.

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