Este país não é para professores?



Tenho uma grande admiração pelos professores e pelas razões óbvias a qualidade do ensino e, por consequência, de um país está intimamente ligado à qualidade desta classe. Maus professores e completamente desmotivados produzem maus alunos, e professores competentes e motivados são uma base imprescindível para a qualidade do país que todos nós desejamos: competitivo, com um bom nível educacional, bons cidadãos, etc.

Por isso, eu não tenho a menor dúvida de que uma das classes que é preciso “apaparicar” é a dos professores, sendo certo que a responsabilidade para a construção de uma sociedade competente e desenvolvida recai em grande medida sobre quem ensina. É certo, também, que todos nós, cada um na sua área de actividade, somos importantes na construção de uma sociedade próspera, mas os professores têm uma responsabilidade acrescida. À percepção do grau desta responsabilidade deve corresponder, por um lado, a qualidade das pessoas que decidem ingressar na carreira da docência e, por outro, os benefícios que o Estado, ou seja, todos nós, lhes concede.

Mas tenho, igualmente, a noção de que apesar de existirem, na sua maioria, excelentes professores, existem alguns que estão lá pelas piores razões e é claro que isso se reflecte na qualidade de ensino.

No entanto, a guerra aberta entre o governo e os professores, que teve a sua expressão máxima, na manifestação no último fim-de-semana, deixa-nos muitas mensagens sobre as quais vale a pena pensar .
A primeira e, porventura, a mais importante, é a forma pouco digna como o Governo está a tratar uma classe de primordial importância para qualquer sociedade.

A segunda é que as reformas, quando são mesmo a sério, não podem ser concretizadas sem o diálogo com o país e, neste caso em particular, com os professores e as suas instituições representativas.
Ontem, o Ministro da Presidência disse, a propósito desta luta, que o grande problema é que prevalece junto dos professores um completo desconhecimento sobre o conteúdo da reforma que o governo propõe.
Convém lembrar que não estamos a falar de uma classe qualquer ou de uma manifestação dos estudantes do ensino superior em que muitos, empunhando cartazes e entoando palavras de ordem, não sabem muito bem porque lá estão. Por isso, recuso a aceitar o argumento de que os professores estão mal informados. Aliás, mal do país em que os seus professores se manifestam sem saber a razão do seu descontentamento.

A terceira é que as reformas implicam, obrigatoriamente, a mudança e a alteração dos “status quo” das coisas e dos privilégios, legitimamente, conseguidos por uma determinada classe e os professores não são excepção. Agora, se todos estão de acordo em que é preciso a realização das reformas, então vamos sentar e perceber qual é a melhor forma de a fazer e com o objectivo genuíno de poder fazer mais e melhor com os mesmos recursos.

A quarta mensagem é a força da rua. Julgo, pelo menos tenho essa convicção, de que o nosso grau democrático e capacidade de diálogo dos governantes com os governados prescindia de grandes manifestações ou de cortes de estradas para haver um recuo ou redefinição das decisões políticas. A ver no comportamento do Governo, demonstrando um claro recuo, permitindo aquilo que parecia mais ou menos óbvio, ou seja, a aplicação de forma experimental do sistema de avaliação dos professores, com a flexibilidade e a abertura para eventuais correcções. É claro que o Governo não disse objectivamente que iria ceder às pressões dos professores, mas pelo anúncio que a tutela fez ontem tudo indica que afinal este Governo, também, não resiste às manifestações.
Fica ainda a pergunta: Este país é para os professores?

Comentários

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