Quem não fica a ver passar os aviões é o Governo de José Sócrates.


Estamos numa altura em que Portugal está na presidência da União Europeia, em que a tentação de esquecer os problemas internos e concentrar-se na Europa é grande (acho que todos se lembram do Eng. Guterres). Sócrates anunciou uma medida muito positiva para tentar contrair a preocupante quebra de natalidade em Portugal, através da atribuição de subsídio às grávidas. Claro que ninguém irá engravidar só porque poderá receber, durante o período de gravidez, pouco mais de cem euros, mas a medida deve ser aplaudida pela pertinência e por colocar na agenda política a baixa de natalidade.
De qualquer modo, e fazendo as contas, facilmente se percebe que essa medida atinge mais fortemente as famílias de baixo rendimento, passando praticamente ao lado da classe média, já que a atribuição do subsídio depende do rendimento global das famílias. Não podemos esquecer que muitos dos problemas e das soluções do país estão na classe média. As pessoas ricas nem estão aí para os problemas do país e se não têm filhos não é, seguramente, por uma questão financeira. Para os pobres, a situação é, por vezes, de tal forma caótica que pensam também em tudo menos nos problemas do país. A classe média anda por aí a aguentar o barco e muitos dos incentivos existentes deixam-na erradamente de fora. É evidente que as pessoas de baixo rendimento devem ser alvo de políticas e incentivos muito fortes no sentido de ajudá-las a terem a desejável mobilidade social. Isso não pode querer dizer, no entanto, o agravamento e a penalização de pessoas de rendimentos intermédios.

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