As pessoas e o desenvolvimento





Vale a pena, por vezes, reforçar as coisas que são óbvias. Uma delas é a evidência de que sem pessoas o desenvolvimento está seriamente comprometido. Sem pessoas não há empreendedores, as políticas promotoras do o que quer que seja será inconsequente. Mas, também, sem pessoas o mercado será pouco ou nada competitivo pois não há ninguém para comprar ou consumir alguma coisa, a massa crítica nem vê-los… etc.

A nível mundial e segundo a Divisão da População das Nações Unidas, o mundo terá em 2007, cerca de 6, 7 milhões de almas, facto que vem evidenciar o desequilíbrio existente entre dois mundos: um mais desenvolvido em que se assiste uma diminuição da população e um outro pobre cujo problema é justamente o oposto.

Isso vem a propósito do Dia Mundial da População, comemorado no passado dia 11 de Julho, em que foi traçado um panorama sombrio em relação ao crescimento populacional para alguns países europeus, onde Portugal está incluído. Chamo a atenção da (o) leitora(o) para as estimativas que, em 2050, Portugal terá perdido quase um quarto da sua população.

Duas razões mais gerais explicam esse decréscimo: por um lado, o aumento da idade da esperança média de vida e, por outro, a diminuição da fecundidade. Por outras palavras, estamos a morrer cada vez mais tarde e a nascer cada vez menos crianças. Por consequência a população activa, isto é, o número de pessoas disponíveis para ingressarem no mercado de trabalho diminui, a segurança social fica numa situação de deficitária, etc.
Por isso, a situação do decréscimo populacional em alguns países é um tema muito complexo que põe em jogo, muitas vezes, as legítimas opções individuais com aquilo que são as necessidades e interesses colectivas.
Há 20 anos era nos grupos etários mais jovens (20-25 anos) que se verificava valores mais elevados das taxas de fecundidade sendo que, hoje, essa preponderância está centrada no grupo etário dos 30-34 anos. Isto significa que as pessoas estão ter cada vez menos filhos e quando os têm é cada vez mais tarde. Os números dizem, também, que em 1987, as mulheres portuguesas tinham os filhos, em média, com 26, 8 anos, e que em 2006 houve um retardamento de 3 anos, ou seja, os filhos já só aparecem, em média, aos 29,9 anos.

É evidente que essa contradição de desenvolvimento é perfeitamente compreensível numa lógica de decisão individual, onde as pessoas, entram, por exemplo, cada vez mais tarde no mercado de trabalho e quando lá estão as condições são as que todos nós que sabemos. Diria que existe uma atitude egoísta mas compreensível no quadro em que vivemos, onde a tendência é a busca de estabilidade económica, enquanto um dos suportes para o assumir de outras responsabilidades.

Mas, também, é óbvio que um país para se desenvolver ou manter um determinado grau de desenvolvimento precisa, necessariamente, de pessoas. Daí a necessidade de compatibilizar as opções individuais (que passa, por exemplo, não ter filhos ou de tê-los mais tarde), com as carências colectivas.

A realidade regional, não obstante de ser menos preocupante face aos outros espaços europeus, carece desde já de reflexões consequentes em torno do crescimento populacional, sobretudo, pela existência de disparidades entre as várias ilhas.
A mobilidade emerge como um dos factores que contraria essa tendência de envelhecimento populacional. Aliás, a nível nacional o crescimento do efectivo populacional foi fortemente determinado por movimentos migratórios. Por isso, que a solução poderá passar muito por essa mobilidade, mas é imperioso a existência de políticas completares, até porque com o passar do tempo a população migrante tende a ter os mesmos padrões demográficos das sociedades de acolhimento.

www.ponteinsular.blogspot.com.





Comentários

Romilson Brito disse…
olá... fiquei muito contente de ver a minha foto... mas isso ja la vai alguns aninhos... sou romilson Brito, rony-sulb.w@hotmail.com

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