Cabo Verde na Europa...???


Nos últimos dois/três anos, tem emergido um conjunto de vozes e de movimentos, suportando a ideia de Cabo Verde integrar a União Europeia. É uma intenção real, sendo que a discussão estará centrada muito em saber se essa ideia faz sentido ou não e, no caso de fazer, em que condições ou moldes ela poderá ser concretizada. Se será, por um lado, através de integração plena ou, por outro, mediante a atribuição de Estatuto Especial.
Já existe, hoje, uma assunção política muito objectiva desta intenção em Cabo Verde e gradualmente ela está também a ser assumida pela população cabo-verdiana. Fazia-me particular confusão, um silêncio perturbador que existia em Cabo Verde, sobretudo, junto da classe política.
O nosso país é um pequeno Estado insular e arquipelágico, cuja cultura foi alicerçada numa fusão constante entre a Europa e África, o que significa que culturalmente Cabo Verde é um país africano mas também europeu. Negar essa dupla condição cultural de Cabo Verde é desconhecer a própria história do arquipélago e as várias manifestações culturais, o crioulo, constituem algumas provas desta amálgama cultural. Em termos geográficos, o país fica a escassos 500 quilómetros da costa ocidental africana e mais uns tantos da Europa e durante séculos o país serviu como um ponto de apoio à navegação marítima entre os dois continentes. Mas também e, apesar das dificuldades e ainda de um elevado índice de pobreza, Cabo Verde tem tido um desenvolvimento assinalável, a estabilidade política e a vivência democrática são incontestáveis. Neste mundo cada vez mais global, um pequeno Estado como Cabo Verde, insular e arquipelágico, com enormes desafios pela frente, tem necessariamente de encontrar, também, outros espaços de integração e a Europa aparece como uma via natural.

Todavia, estou convencido de que esse estatuto especial que Cabo Verde poderá vir a ter junto da União Europeia só é concretizável mediante a manutenção ou mesmo o reforço da africanidade de Cabo Verde, ou seja, através ainda de uma maior integração de Cabo Verde no espaço africano. Isto significa que esta integração europeia só faz sentido se não recusar a pertença africana, até porque Cabo Verde não interessará à Europa, sem uma presença forte em África.
Por isso, possibilitando esta condição de dupla pertença de Cabo Verde, a Europa estará, também, a dar um sinal ao mundo de novos tempos em que as identidades não se devem anular, muito pelo contrário, podem ser complementares entre elas. Cabo Verde é um país africano, que pode ser também Europeu.
Nesta caminhada, os Açores podem desenvolver um papel importante. Para além de existir na região uma sensibilidade política em praticamente todos os quadrantes políticos, em relação a esta pretensão de Cabo Verde, prevalece ainda um conjunto de factos históricos e culturais que poderão suportar este alinhamento dos Açores junto de Cabo Verde.
Estamos a falar de dois arquipélagos situados no mesmo espaço geográfico, que se denomina Macaronésia, em conjunto com a Madeira e as Canárias. São duas regiões que, por serem descontínuas territorialmente, vivenciam os mesmos problemas e, por consequência, as soluções andam também muito próximas.
Os Açores e Cabo Verde, antes de 1974, tiveram movimentos políticos com alguns pontos que podem ser comparáveis sendo que, devido a situações políticas conjunturais da altura, Cabo Verde optou pela independência e os Açores pela Autonomia.
Neste sentido, julgo que esta ideia faz todo o sentido e ela poderá ser realidade, através de uma atribuição de um Estatuto Especial de Cabo Verde junto da União Europeia, opção que, de resto, é perfeitamente possível dentro da actual realidade da EU. Porém, o caminho tem que ser feito e os Açores, também, podem ser um excelente aliado na concretização da intenção do arquipélago de Cabo Verde.
Mas antes disso, precisamos de definir qual é o caminho que nós, os cabo-verdianos, queremos seguir. A classe política deve ter um compromisso muito claro com os cabo-verdianos, que passa, por fazer de tudo por incrementar um desenvolvimento sustentável, com reflexos positivos junto de toda a população.
Concretizar esta intenção de uma maior aproximação à Europa, estaremos a dar corpo ao nosso percurso histórico, cultural e geográfico.Nos últimos dois/três anos, tem emergido um conjunto de vozes e de movimentos, suportando a ideia de Cabo Verde integrar a União Europeia. É uma intenção real, sendo que a discussão estará centrada muito em saber se essa ideia faz sentido ou não e, no caso de fazer, em que condições ou moldes ela poderá ser concretizada. Se será, por um lado, através de integração plena ou, por outro, mediante a atribuição de Estatuto Especial.
Já existe, hoje, uma assunção política muito objectiva desta intenção em Cabo Verde e gradualmente ela está também a ser assumida pela população cabo-verdiana. Fazia-me particular confusão, um silêncio perturbador que existia em Cabo Verde, sobretudo, junto da classe política.
O nosso país é um pequeno Estado insular e arquipelágico, cuja cultura foi alicerçada numa fusão constante entre a Europa e África, o que significa que culturalmente Cabo Verde é um país africano mas também europeu. Negar essa dupla condição cultural de Cabo Verde é desconhecer a própria história do arquipélago e as várias manifestações culturais, o crioulo, constituem algumas provas desta amálgama cultural. Em termos geográficos, o país fica a escassos 500 quilómetros da costa ocidental africana e mais uns tantos da Europa e durante séculos o país serviu como um ponto de apoio à navegação marítima entre os dois continentes. Mas também e, apesar das dificuldades e ainda de um elevado índice de pobreza, Cabo Verde tem tido um desenvolvimento assinalável, a estabilidade política e a vivência democrática são incontestáveis. Neste mundo cada vez mais global, um pequeno Estado como Cabo Verde, insular e arquipelágico, com enormes desafios pela frente, tem necessariamente de encontrar, também, outros espaços de integração e a Europa aparece como uma via natural.

Todavia, estou convencido de que esse estatuto especial que Cabo Verde poderá vir a ter junto da União Europeia só é concretizável mediante a manutenção ou mesmo o reforço da africanidade de Cabo Verde, ou seja, através ainda de uma maior integração de Cabo Verde no espaço africano. Isto significa que esta integração europeia só faz sentido se não recusar a pertença africana, até porque Cabo Verde não interessará à Europa, sem uma presença forte em África.
Por isso, possibilitando esta condição de dupla pertença de Cabo Verde, a Europa estará, também, a dar um sinal ao mundo de novos tempos em que as identidades não se devem anular, muito pelo contrário, podem ser complementares entre elas. Cabo Verde é um país africano, que pode ser também Europeu.
Nesta caminhada, os Açores podem desenvolver um papel importante. Para além de existir na região uma sensibilidade política em praticamente todos os quadrantes políticos, em relação a esta pretensão de Cabo Verde, prevalece ainda um conjunto de factos históricos e culturais que poderão suportar este alinhamento dos Açores junto de Cabo Verde.
Estamos a falar de dois arquipélagos situados no mesmo espaço geográfico, que se denomina Macaronésia, em conjunto com a Madeira e as Canárias. São duas regiões que, por serem descontínuas territorialmente, vivenciam os mesmos problemas e, por consequência, as soluções andam também muito próximas.
Os Açores e Cabo Verde, antes de 1974, tiveram movimentos políticos com alguns pontos que podem ser comparáveis sendo que, devido a situações políticas conjunturais da altura, Cabo Verde optou pela independência e os Açores pela Autonomia.
Neste sentido, julgo que esta ideia faz todo o sentido e ela poderá ser realidade, através de uma atribuição de um Estatuto Especial de Cabo Verde junto da União Europeia, opção que, de resto, é perfeitamente possível dentro da actual realidade da EU. Porém, o caminho tem que ser feito e os Açores, também, podem ser um excelente aliado na concretização da intenção do arquipélago de Cabo Verde.
Mas antes disso, precisamos de definir qual é o caminho que nós, os cabo-verdianos, queremos seguir. A classe política deve ter um compromisso muito claro com os cabo-verdianos, que passa, por fazer de tudo por incrementar um desenvolvimento sustentável, com reflexos positivos junto de toda a população.
Concretizar esta intenção de uma maior aproximação à Europa, estaremos a dar corpo ao nosso percurso histórico, cultural e geográfico.

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