If you can't fly then run, if you can't run then walk, if you can't walk then crawl, but whatever you do you have to keep moving forward.” Martin Luther King
quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
A legitimidade ( ou não) da abstenção
Portugal irá a votos no próximo dia 23 de Janeiro e, por isso, junto o meu apelo ao de tantos outros para a necessária participação das pessoas neste processo eleitoral. Cada um de nós tem as suas convicções, mas ninguém devia deixar de exercer o seu direito cívico. As razões são muitas. A primeira delas tem a ver com a situação crítica em que o país se encontra, em que é necessário responsabilizar os políticos pelas (não) opções, mas também responsabilizar as pessoas pelas escolhas que fazem. Podemos fazer variadas e legítimas críticas à democracia, aos seus contornos e protagonistas. Porém, não podemos esquecer que nós, os cidadãos, temos por força do contexto democrático um conjunto de instrumentos à nossa disposição para alterar o rumo das coisas. Não podemos fingir que eles não existem e, mais grave ainda, não podemos desresponsabilizarmo-nos pelo estado caótico em que o país se encontra. Somos, enquanto governados, parte do problema e, por consequência, temos de ser parte integrante da solução. Este argumento ganha maior pertinência quando olhamos à nossa volta, para outras latitudes, em que as pessoas não são livres para escolher os seus governantes e caminho que pretendem seguir. O último exemplo veio há poucas semanas da Tunísia, um país que era considerado, até então, como um dos mais estáveis do norte de África e um modelo regional. Ben Ali governou o país com mão de ferro durante 23 anos, depois de chegar ao poder através de um sangrento golpe de Estado. De repente, e com o agudizar dos problemas e a ausência de alternativas, o povo “passou-se”. Ben Ali não teve outra alternativa senão pedir asilo e, depois da recusa de alguns países ocidentais amigos, foi amparado pela Arábia Saudita. Não quero comparar, de todo, a situação na Tunísia com a realidade portuguesa, mas a mensagem está lá. As últimas eleições não nos dão motivos de esperança em relação à diminuição da abstenção. Vou voltar à situação do país e, muito em especial, aos jovens que são quem está a pagar esta crise de forma mais violenta; só não atinge proporções mais alarmantes muito por causa da solidariedade inter-geracional que vai existindo na sociedade portuguesa e na açoriana, em particular. O desemprego, tanto no contexto nacional como regional, não pára de aumentar, com a particularidade desta subida ser mais intensa junto dos jovens licenciados. Na região, apesar do crescimento do desemprego ser pouco expressivo, temos de ficar atentos à subida galopante do número de desempregados qualificados no próximo mês de Março, altura em que muitos terminam o programa Estagiar L. Mas muitos que trabalham, fazem-no em condições precárias e, apesar de acreditar que em muitos casos prevalece a má vontade de entidade patronais, há casos em que simplesmente não é possível ser de outra forma. Estes exemplos servem para fundamentar a necessidade de participarmos activamente e não nos alienarmos das nossas próprias responsabilidades enquanto cidadãos porque, no caso de correr mal, pagamos (estamos a pagar) uma factura pesada. Por isso, a minha escolha recai sobre Manuel Alegre. Pelo perfil humanista e de líder das expectativas do povo português; pela capacidade de construir pontes e consensos em torno dos grandes e complexos desafios que Portugal tem pela frente e, sobretudo, pela sua capacidade em estimular o que há de melhor em cada um de nós e colocá-lo ao serviço do país. A abstenção mina qualquer sistema democrático e constitui uma desresponsabilização colectiva e pode colocar em causa a própria legitimidade das opções políticas. Não deixe de votar no dia 23.
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