A discussão em torno da Lei das Finanças Regionais e a centralidade que a mesma ocupou no debate sobre o orçamento vieram, infelizmente, reforçar a imagem tendencialmente negativa que existe no continente português, e em muitos sectores da sociedade portuguesa, sobre as Regiões Autónomas e o próprio conceito de Autonomia. Esta imagem negativa está, julgo, mais associada à Região Autónoma da Madeira (muito devido às sempre peculiares intervenções de Alberto João Jardim), mas o facto é que os Açores acabam por “apanhar por tabela”. Fica aqui o desabafo do meu feeling de que Lisboa não se importa realmente com a Autonomia, contrariando um pouco o discurso politicamente correcto que existe nesta matéria.
A forma como se discutiu a Lei das Finanças Regionais reforçou a minha convicção de que Lisboa vê as Regiões Autónomas mais como um custo do que como um benefício e qualquer discussão sobre esta matéria já vem, portanto, com defeito. Muitas vezes, esse desinteresse pela Autonomia está, seguramente, assente no desconhecimento que a população do continente tem relativamente à Autonomia e na pouca discussão que é feita em torno deste assunto. É evidente que, num quadro de crise económica, o esforço de contenção de despesas tem, necessariamente, de ser assumido por todos e em todas as áreas e a sociedade portuguesa entenderia muito mal se tal não acontecesse também nas transferências para as Regiões Autónomas. Percebo a intervenção do Presidente do Governo Regional a propósito desta matéria, que tentou, por um lado, não macular a imagem da Autonomia junto da sociedade portuguesa e, por outro, não fortalecer a ideia de que prevalece um sentimento despesista nas Regiões e de que o único interesse da Autonomia é a discussão centrada em menos ou mais milhões.
Agora é preciso sermos honestos em duas coisas: a primeira é que os Açores devem merecer uma discriminação positiva em relação à Madeira, por razões geográficas e territoriais óbvias (distância do continente e a existência de nove ilhas). A segunda é que o índice de desenvolvimento da Madeira é superior ao dos Açores e que, por isso, o esforço para com os Açores deve ser muito maior.
Publicado no Jornal " Açoriano Oriental", no passado dia 10 de Fevereiro de 2010
If you can't fly then run, if you can't run then walk, if you can't walk then crawl, but whatever you do you have to keep moving forward.” Martin Luther King
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Há memórias que começam com uma televisão a preto e branco. Hoje, a morte de Laura Cardoso e Glória Menezes, duas das grandes senhoras da d...
-
O insólito aconteceu no passado dia 6 de Junho, no Concelho de Vila Franca do campo. Quase seis mil pessoas não viram nem ouviram o Bob Sinc...
-
Há algo que, por mais que nos custe acreditar e mais volte que possamos dar, constitui uma verdade incontornável: a existência dos mais frac...
Sem comentários:
Enviar um comentário