Angola

O título do artigo foi “ roubado” da música de “Angola, Angola” que é interpretada de forma soberba pela Cesária Évora mas que vem a propósito dos 34 anos de Independência de Angola que se comemoram hoje. As comemorações valem o que valem, mas têm pelo menos uma utilidade, que é colocar na agenda mediática um determinado tema. Por força do dinamismo da sua economia, Angola tem servido para muitas pessoas (inclusive portugueses) como um autêntico balão de oxigénio. Neste momento, vivem em Portugal perto de 28 mil angolanos (sem contar com os portadores de nacionalidade portuguesa), sendo que no caso inverso estaremos a falar de 200 mil portugueses residentes em Angola, ou seja, o número de portugueses residentes em Angola é 7 vezes maior do que o de angolanos que vivem em Portugal. No quadro africano Angola constitui, hoje, uma referência obrigatória devido, essencialmente, à pujança económica. No entanto, nem tudo são rosas quando pintamos o quadro angolano. O primeiro desafio é o da consolidação do regime democrático. Depois de um período sangrento, o país vai experimentando a democracia, sendo certo que a vivência democrática é muito mais do que ir votar: é ter uma imprensa livre e imparcial, possibilidade real de escolha e de alternância, equilíbrio de poderes, etc. Não podemos esquecer que José Eduardo dos Santos está há 27 anos no poder e muito do caminho que o país poderá vir a percorrer dependerá da sua própria visão, ou não, sobre o que é o exercício do poder. O segundo desafio é do desenvolvimento económico sustentável. Apesar do notável crescimento angolano (em 2007 foi o país que mais cresceu no mundo – perto de 35%) muitos analistas defendem que é muito importante a diversificação da economia angolana que, até ao momento, depende sobretudo do sector petrolífero (petróleo e gás representam perto de 50% do PIB angolano). A par da sustentabilidade económica emerge a sempre difícil e necessária questão da redistribuição da riqueza. É senso comum afirmar que quanto mais pobre é um país maior é o fosso entre ricos e pobres, sendo que a paz social em Angola está dependente da criação de condições que assegurem que as mais-valias geradas pelo petróleo possam atingir o maior número possível de angolanos. Angola tem, actualmente, 17 milhões de habitantes e no índice das Nações Unidas (2008) o país está na 143ª posição, num conjunto de 182 países, lugar esse que entra em contradição com as suas potencialidades.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Cabo Verde, um percurso de esperança

Slow Ferry e o enguiço do Estado

Fine coliving in the Azores