A ressaca das eleições


O PS estava à rasca nestas eleições mas lá conseguiu a maioria relativa, o que não deixa de ser uma vitória para o líder socialista, depois de ter perdido as eleições europeias e de ter gerado grandes contestações junto de diversas organizações e corporações. José Sócrates era um homem aliviado e compreensivelmente satisfeito no domingo. Não se pode esquecer que o PSD estava altamente motivado com a vitória das europeias e que o BE estava sempre à espreita dos deslizes do PS para a direita. Em termos de resultados absolutos a nível regional e se compararmos as eleições de 2005 e 2009, o PS perde 10732 votos, o PSD ganha mais 2662 eleitores, o BE mais 4322, o PCP mais 518 e o CDS quase que triplica a sua votação (mais 6192 votos). No entanto, se tivermos em linha de conta a comparação das eleições legislativas com as últimas regionais, o PS perde 7036 votos, o PSD ganha mais de 6902, o BE 4011, a CDU 755 e o PP mais 1966 votos. Há duas evidências: se compararmos as eleições regionais com as últimas legislativas o número de votos com que o PSD ganha é praticamente igual ao que o PS perde, sendo plausível a teoria de transferência de votos dos eleitores ditos flutuantes entre os dois partidos; por outro, e tendo em conta que a perda de votos por parte do PS é mais significativa entre as duas eleições legislativas, parece-me que os eleitores fazem cada vez mais a distinção do tipo de eleições que está em causa e que o PS vem perdendo de forma gradual o número de votantes. Resta saber as razões. Apesar de ter uma estrutura partidária muito débil na região o BE tem recebido cada vez mais votos dos açorianos ( a líder regional é deputada regional, foi candidata à Assembleia da República como cabeça de lista pelos Açores e já está a fazer campanha para Presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande). Parte do voto do BE foi tirada ao PS, sobretudo, nos centros urbanos sendo igualmente aceitável a teoria de captação de votos dos que votam pela primeira vez. Por isso, independentemente do conteúdo de intervenção do BE o facto é que tem constituído uma ameaça para o PS e claro para a CDU.A grande incógnita continua a ser o CDS-PP que praticamente triplicou a sua votação nos Açores e a liderança do Artur Lima é insuficiente para explicar isso. O PCP aumentou efectivamente a sua votação mas é o que teve um crescimento mais ténue. Por último, devo dizer que não fica bem que a nossa região seja vista como a campeã da abstenção. Algo de errado está a acontecer.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Cabo Verde, um percurso de esperança

Slow Ferry e o enguiço do Estado

Fine coliving in the Azores