Vote, mesmo em branco




O título do meu artigo poderia ser perfeitamente um apelo ao voto étnico, mas não é, pelo menos para já. Caso fosse candidato, seria uma coisa do tipo “ não vote em branco”. Num registo mais sério, o título do meu artigo surge como um apelo profundo à participação cívica e a responsabilidade que todos nós temos na construção dos nossos destinos colectivos. Os senhores deputados e senhoras deputadas, mesmo não parecendo, vão condicionar a vida de todos nós nos próximos quatros anos e, por isso, não ir votar é a pior coisa que pode fazer. Se não se revê em nenhum dos partidos ou nas suas propostas vote em branco. Simplesmente é o melhor protesto que se pode fazer e não se iluda em relação a isso.
Quase todos os partidos, influenciados pelo sucesso do Obama, tentaram “obamizar” as campanhas políticas, sendo que a presença nas redes sociais é o aspectos mais visível dessa nova forma de fazer política. Agora como o conteúdo das mensagens não se alterou, fica tudo ou quase tudo na mesma. Por isso, os resultados no próximo domingo não terão infelizmente nenhuma ligação com a “obamização” da política, até porque os candidatos não trazem nenhuma esperança em relação à nova forma de fazer política, tanto nos seus protagonistas como nas mensagens.
De qualquer modo, a convicção da necessidade de participação política através do voto faz mais sentido de atendermos que, hoje, em Portugal, uma parcela importante do que é hoje esse país (mais de 5%) simplesmente não tem direito nesse processo de construção colectivo. Refiro-me em concreto aos imigrantes que na sua larga maioria não tem direito ao voto. Quem tem esse direito convêm não desperdiça-lo. Dentro do programa eleitoral, apenas duas forças partidárias se comprometem a estender, por exemplo, o direito de voto aos imigrantes nas eleições locais. Um deles é o MEP Movimento Esperança Portugal (que tem tido uma dinâmica muito interessante) e o outro é o PCP. O PS diz que irá aprofundar a participação cívica dos imigrantes mas não se compromete com uma opção clara. O PSD também assume uma visão positiva mas vaga em termos de acções concretas para potenciar a integração dos imigrantes e não diz nenhuma palavra sobre a participação política. O CDS reafirma, no seu programa eleitoral uma visão perfeitamente errada e altamente securitária da imigração.

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