O alcoolismo junto dos jovens é um problema cada vez mais preocupante por essas bandas. Exercendo o papel de mero observador (sem competências técnicas na matéria), devo dizer que o que observo constantemente em alguns bares, o que leio da legislação e os dados, que de vez quando presto atenção, deixam-me preocupados. A legislação em vigor proíbe a venda e consumo de bebidas alcoólicas a menores de 16 anos. Independentemente da discussão em torno da idade limite, o problema é o escandaloso incumprimento da legislação em vigor que, muito à moda portuguesa, todos sabem que existem mas ninguém a respeita. Um olhar rápido, à noite, junto de alguns estabelecimentos nocturnos, apercebemo-nos da dimensão do problema e da relativa hipocrisia que existe entre aquilo que diz a lei com a realidade quotidiana.
Todos os estabelecimentos têm afixado a tal placa que diz “ proibido a venda de bebidas alcoólicas a menores de 16 anos”, mas no interior ou mesmo no exterior dos espaços apercebemo-nos de miúdos e miúdas a apanharem brutas bebedeiras. Quero crer que os responsáveis dos bares muitas vezes, na confusão da multidão, não se apercebem a quem estão a vender as bebidas. Por outro lado, e porque existe a vergonhosa conivência entre todos nós sobre a questão do alcoolismo não custa nada que a bebida seja adquirida por jovens mais velhos. Ainda ontem num seminário organizado no Nordeste, foram divulgados dados que apontam que 2 em cada 10 jovens são dependentes de álcool, comprovando uma vez mais a pertinência de uma discussão urgente e consequente sobre o problema.
No ano passado, estava em discussão, na Assembleia Legislativa Regional, a hipótese de alteração da idade mínima para o consumo de álcool dos 16 para os 18 anos mas infelizmente não teve consequências. O problema do alcoolismo junto dos jovens é real e tem atingido, face ao clima de impunidade que existe, dimensões preocupantes na região. Seguramente que pode ser importante fazer uma discussão em torno da idade mínima para o consumo de bebidas alcoólicas, convergindo, com efeito, com o resto da União Europeia. No entanto, o mais importante é o Estado ser intransigente e implacável na fiscalização de forma a criar um clima de punição em caso de violação da legislação existente que é razoavelmente boa, se for cumprida à letra. O problema é que nenhum de nós respeita a legislação e nem vou enunciar as consequências negativas que decorrem de um consumo precoce e exagerado de bebidas alcoólicas.
Não menos preocupante, é o clima potenciador para o consumo de álcool que se cria com base em anúncios absolutamente apelativos no qual a mensagem assenta na associação entre as bebidas e o divertimento. O terreno desta discussão tem algo de subjectivo mas nem por isso tira a pertinência de pensarmos sobre o tema.
O que me inquieta é que se perde tempo, energia e recursos para a criação de um conjunto de instrumentos para combater um problema social e ao mesmo tempo, criamos zonas cinzentas que colocam em causa todo o trabalho realizado. A nossa região é pequena e uma fiscalização eficaz com certeza que teria um forte impacto, pelo menos, para colocar na agenda politica regional o problema do alcoolismo. Agora o que não pode ser é fingir que todos estão a cumprir a legislação, com o simples afixar do placar e ao mesmo tempo vende-se bebidas aos putos. O problema está cá entre nós e, por isso, é importante o empenho de todos para, pelo menos, se respeitar a legislação existente.
If you can't fly then run, if you can't run then walk, if you can't walk then crawl, but whatever you do you have to keep moving forward.” Martin Luther King
domingo, 31 de maio de 2009
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