Os jovens, a política e a alienação



Na semana passada esteve em discussão, a nível nacional, a questão da participação dos jovens, como consequência, da chamada da atenção do Presidente da República para o alheamento dos jovens para com a política. O Presidente baseou-se num estudo feito pela Universidade Católica sobre as atitudes e comportamentos políticos dos jovens em Portugal, ou melhor, em Portugal Continental. Isto para dizer que o estudo não tem o carácter nacional e acho piada as investigações que falam de Portugal mas que não englobam as Regiões Autónomas. A investigação em concreto teve como universo de estudo os jovens residentes apenas no continente português com mais de 15 anos. Curiosamente e, isso é ainda mais grave, o Estudo foi encomendado pelo próprio Presidente da República que deveria ter algum cuidado com este tipo de coisas. Portugal e, a malta tem que se habituar a isto e o Presidente tem, obrigatoriamente, que dar o exemplo, é constituído, também por duas regiões autónomas e, esta realidade tem estar reflectida, também, nos estudos e conclusões que se designam de nacional.
Apesar de ter a percepção que as conclusões retiradas do estudo não diferem muito da situação regional o facto é que não fomos considerados. A região tem que se habituar a protestar veemente contra estas exclusões que não tem sentido nenhum.
Feito o desabafo, a chamada de atenção do Presidente da República não deixando de ser pertinente é um facto, no entanto, muito óbvio nos dias de hoje. São muitos os estudos, alguns de carácter sociológico, que apontam para esta alienação da população portuguesa face à política. Por isso, fiquei surpreso com a surpresa do Presidente da República face ao défice da participação política dos jovens.
Apesar de perceber a pertinência do enfoque que o Presidente quis colocar sobre os jovens, o facto é que esta alienação não é exclusivo dos jovens ou tem uma maior incidência nesta camada face as outras faixas etárias da população. É que se criou a ideia depois deste desabafo do Presidente e pela própria comunicação social que são somente os jovens é que não participam o que não é verdade. Aliás, o próprio estudo refere que os “portugueses” independentemente da idade têm um baixo envolvimento com a política e que os jovens, mesmo assim, apresentam índices mais elevados de participação.
O centro da análise desta questão deverá estar no questionamento colectivo do porquê desta alienação das pessoas para com a política e, consequentemente, o que devemos fazer para resolver o problema. No diagnóstico todos estão de acordo e, paradoxalmente, os actores principais que criticam esta alienação são os que estão em melhor posição de combate-la; aliás, para além, de não fazerem muito pouco para alterarem a situação, prevalecem comportamentos e práticas políticas que constituem autênticos bloqueios para qualquer tipo de participação.
As pessoas e os jovens, em particular, estão aí; muitos a militarem-se nas causas humanitárias, ecológicas etc., tentando contribuir para o bem comum. Os partidos políticos, sobretudo, os que alternam no poder são espaços tendencialmente fechados, apesar do discurso de abertura que é feito. Acredito que quando as pessoas falam de abertura o fazem genuinamente, mas temos de admitir que existem internamente forças de bloqueio, poucos visíveis que contrariam esta vontade.
Há, seguramente, muitas pessoas que estão completamente alienados da política e com a causa pública. Se calhar a vida não dá para mais, e, por momentos, é mais confortável ficar no sofá a ver futebol e telenovelas. Mas, há muitas que estão por aí e temos, de forma genuína e, consequente, contrair esta completa alienação que mina todo e qualquer processo de desenvolvimento colectivo.

Comentários

Anónimo disse…
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